Uma dor de cabeça insistente, uma crise alérgica no meio do dia ou uma cólica durante o trabalho: ter um medicamento à mão parece prudente. O problema é quando a necessidade de estar preparado para qualquer desconforto transforma bolsas, mochilas e carros em pequenas farmácias móveis.
“Levar um ou dois medicamentos essenciais na bolsa, como um anti-histamínico (antialérgico) para quem tem alergia grave ou broncodilatador para quem tem asma, é prevenção legítima”, afirma o cardiologista Murilo Meneses Nunes, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia (GO).
O sinal de alerta aparece quando a pessoa passa a carregar diversos remédios para sintomas hipotéticos e sente insegurança ao sair de casa sem eles. É o que ocorre no transtorno de ansiedade de doença – a hipocondria –, quando sensações normais são interpretadas como sinais de enfermidades graves.
“A preocupação (com a saúde) assume lugar central na vida da pessoa, afetando trabalho, relacionamentos e lazer”, aponta Nunes.
O transtorno é mais frequente entre pessoas com histórico de ansiedade ou depressão, traços perfeccionistas ou forte necessidade de controle, e costuma aparecer na meia-idade. Um comportamento comum nestes casos é a automedicação preventiva: em vez de esperar a melhora natural de um sintoma leve, a pessoa já toma um remédio para impedir que ele evolua.
“Quanto mais a pessoa foca nas sensações físicas e se medica, mais ansiosa ela fica. O ideal é desenvolver tolerância a desconfortos menores e confiar na capacidade do organismo de se autorregular”, aconselha o cardiologista.
Veja abaixo os perigos e saiba o que fazer.
– Calor pode estragar o remédio: Deixar medicamentos na bolsa, no porta-luvas ou no console do carro é mais comum do que parece – mas calor, luz e umidade degradam os fármacos e reduzem sua eficácia. Dentro de um carro fechado no sol, a temperatura pode passar de 60°C.
– Embalagem original protege: Blísteres e cartelas evitam a contaminação do medicamento. “Ela tem por finalidade identificar e proteger o princípio ativo contra agentes externos presentes na atmosfera, os quais podem alterar quimicamente ou, até mesmo, contaminar o medicamento”, explica o farmacêutico Alexandre Bechara, da Unifesp e do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP).
– Sinais de que o remédio estragou: Mudança de cor, perda da efervescência, comprimidos grudados na embalagem e soluções que precipitam podem indicar deterioração. O ideal é guardar os remédios entre 15°C e 30°C, longe de luz e umidade.
– O que faz sentido carregar? Remédios prescritos para doenças crônicas ou emergências já diagnosticadas, como fontes rápidas de glicose para diabéticos com hipoglicemia.
– O que não deve ser carregado à toa? Antibióticos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares potentes e remédios controlados não devem ser levados ou usados sem orientação. “Não existem substâncias seguras, mas sim formas seguras de utilizar as substâncias”, ressalta Bechara.
– Como transportar em viagens? Bechara recomenda levar os remédios na embalagem original e na bagagem de mão – nunca na mala despachada, por causa das variações de temperatura no compartimento de carga dos aviões.
– Insulina e injetáveis pedem refrigeração adequada: Fármacos que precisam ficar entre 2°C e 8°C devem ser transportados dentro de bolsas térmicas apropriadas, sem contato direto com gelo. Também é importante levar receitas e documentos médicos e verificar antes a política da companhia aérea e as regras do país de destino. As informações são do jornal Extra.
