Uma carta atribuída ao senador Flávio Bolsonaro (PL), divulgada por aliados nessa quarta-feira (28), chamou a atenção por apresentar um brasão da República com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, denominação utilizada oficialmente pelo país no início do período republicano. Em uma segunda versão do documento, o símbolo foi substituído, passando a exibir o nome atual do país. No conteúdo da carta, o senador se apresenta como presidente eleito, apesar de ter sido derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições.
A expressão “Estados Unidos do Brasil” tem origem no período posterior à Proclamação da República, em 1889. A escolha do nome foi inspirada no modelo federativo dos Estados Unidos. A denominação permaneceu nas constituições brasileiras por décadas, até 1967, quando o país passou a adotar oficialmente o nome República Federativa do Brasil, utilizado até hoje.
O brasão, conhecido também como Armas Nacionais, integra o conjunto dos quatro símbolos oficiais da República brasileira, ao lado da bandeira, do hino nacional e do selo nacional. Sua utilização está relacionada à identificação institucional do Estado, especialmente em documentos e materiais vinculados aos órgãos oficiais do governo.
Na segunda versão da carta, compartilhada por aliados de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, o brasão passou a apresentar a inscrição “República Federativa do Brasil”, correspondente à denominação oficial vigente. Apesar da alteração visual, o conteúdo do documento permaneceu inalterado, mantendo as declarações atribuídas ao senador.
“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, afirma o texto. A carta foi divulgada por aliados da família Bolsonaro que estão nos Estados Unidos, entre eles o comentarista político Paulo Figueiredo e o ex-policial militar André Porciuncula.
Flávio Bolsonaro chegou aos Estados Unidos depois de deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina. No documento, ele apresenta alegações de fraude relacionadas à eleição realizada no último domingo (25), mas não fornece provas que sustentem essas afirmações. A carta também indica a intenção do senador de conduzir a oposição brasileira a partir do exterior.
Além das mudanças observadas no brasão, o texto passou por outra alteração em uma publicação feita pelo próprio Flávio na rede social X, antigo Twitter. Na versão mais recente divulgada pelo senador, ele deixou de se identificar como “presidente eleito” e passou a utilizar a expressão “líder do Brasil”.
As diferentes versões do documento apresentam, portanto, mudanças tanto na identificação visual do brasão quanto na forma como Flávio Bolsonaro se descreve publicamente. Embora a primeira versão utilizasse uma denominação histórica do país, a segunda adotou o nome oficial atual, enquanto a publicação posterior no X modificou a maneira como o senador se apresenta, preservando a divulgação de suas declarações políticas. (Com informações da Folha de S.Paulo)
