A investidora do mercado financeiro Patrícia Antunes Fernandes, de 25 anos, e o cabo do Exército Marcus Monteiro dos Reis, de 35 anos, planejavam oficializar o relacionamento de cinco meses em uma cerimônia divertida em Las Vegas, nos Estados Unidos, em janeiro de 2021. Com a pandemia do coronavírus, entretanto, o casal precisou adiantar o enlace e assinar a certidão da união estável na última semana. O objetivo foi incluir a moça como dependente do rapaz no plano de saúde, no caso de eventual necessidade de usar um serviço médico ou hospitalar.
O caso de Patrícia e Marcus não é o único registrado no 15º cartório de ofício de notas, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. De acordo com Michelle Novaes, tabeliã substituta, em março de 2019 foram assinadas 47 uniões estáveis no local, contra 73 no mesmo mês desse ano – o que representa um aumento de 55,3% justamente no período que a pandemia chegou ao Rio.
“Pela experiência que temos e até pelos relatos que ouvimos dos próprios casais, não é o caso de as pessoas estarem querendo se casar mais. O que está acontecendo é que pessoas que já viviam juntas de maneira informal estão formalizando essas relações porque precisam ter a garantia de um plano de saúde”, conta a tabeliã.
Michelle explica que para assinar o registro de união estável, o casal precisa apenas apresentar a identidade, o CPF e um comprovante de residência. Os envolvidos devem também escolher o regime de bens – comunhão parcial ou separação total. No 15º cartório de ofício de notas, a entrega dos documentos e a assinatura da certidão pode ser feita de maneira presencial, remota, delivery ou até drive thru.
“A gente sabe que estamos casando por conta única e exclusiva do coronavírus. Então decidimos muito rápido, tiramos as dúvidas por WhatsApp e passamos de carro para conferir e assinar os papéis. Isso não durou nem cinco minutos. Mas nosso sonho continua, só adiantamos a parte burocrática”, conta Patrícia.
