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Caso Abin: rastreamento ilegal de celulares incluiu uso eleitoral e “cerco ao Supremo“, dizem investigadores

Nessa sexta, a PF prendeu dois servidores da Abin e apreendeu US$ 150 mil nas casas de investigados. (Foto: Divulgação)

O esquema de rastreamento ilegal de celulares pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), alvo da operação deflagrada pela PF (Polícia Federal) nessa sexta-feira (20), inclui um uso “sistemático” da ferramenta durante o período das eleições municipais em 2020, além de um “cerco ao STF (Supremo Tribunal Federal)”.

As informações foram passadas à TV Globo por investigadores ligados ao caso. Em março, o jornal O Globo revelou uso de sistema para monitorar até 10 mil celulares sem aval da Justiça.

Segundo um desses interlocutores, durante meses, a espionagem eletrônica rastreou “centenas de celulares” de quem frequentava o STF.

Além dos servidores do tribunal, foram monitorados advogados, policiais, jornalistas e os próprios ministros. A investigação identificou 33 mil acessos da localização telefônica dos mais diversos alvos.

Nessa sexta, a PF prendeu dois servidores da Abin e apreendeu US$ 150 mil nas casas de investigados.

Em nota, a Abin informou que instaurou um procedimento para apurar a questão, que todas as solicitações da PF e do STF foram atendidas integralmente, e que colaborou com as investigações desde o início.

Segundo uma fonte ouvida pela reportagem, buscas foram feitas em três andares da Cognyte, empresa fornecedora da tecnologia, que fica em Santa Catarina. Primeiras informações indicam que o Exército poderia estar utilizando a ferramenta.

Existem também denúncias e suspeitas sendo apuradas em outras investigações sobre o uso desse mesmo sistema de rastreamento – por outras pessoas de fora da Abin – também nas eleições de 2022.

A partir das apreensões, a PF deve aprofundar as investigações e abrir uma nova frente de apuração para entender se o Exército estaria ou não usando o sistema ilegalmente, por quais motivos e por quanto tempo.

Para não deixar vestígios, a “gangue Abin de rastreamento” – como vem sendo chamado o grupo pelos investigadores – apagou dos computadores a grande maioria dos acessos.

Até o momento, a Polícia Federal conseguiu levantar apenas cerca de 1,8 mil dos 33 mil acessos ilegais.

A lista inclui um homônimo do ministro do STF Alexandre de Moraes – o que, segundo os investigadores, reforça a desconfiança de que o ministro tenha sido alvo do esquema ilegal.

O sistema First Mile usado pela Abin permite saber apenas a localização dos celulares, e não o conteúdo no aparelho ou as mensagens enviadas. Os investigadores tentam descobrir, no entanto, se outros sistemas sofisticados podem ter sido usados em conjunto para acessar esses conteúdos.

Até o momento, não há indícios de que o grupo tenha, de fato, acessado trocas de mensagens ou qualquer material nos celulares monitorados. A desconfiança é grande, no entanto, em razão da articulação do esquema criminoso identificado até aqui. As informações são do portal de notícias G1.

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