Apesar de manter o discurso em defesa da eleição direta, o PT já discute internamente qual seria a posição da legenda caso o substituto do presidente Michel Temer seja escolhido por deputados e senadores. Os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, o presidente da legenda, Rui Falcão, e quatro dos cinco governadores do partido se reuniram nesta segunda-feira para debater o posicionamento diante da crise.
O PT considera três caminhos a seguir em caso de eleição indireta: boicotar a disputa, lançar um candidato do partido para marcar posição ou aceitar um acordo com outras legendas em torno de um nome como o do ex-ministro Nelson Jobim com a condição que ele aceitasse desistir ou amenizar as reformas da Previdência e trabalhista.
Desde que foram reveladas as denúncias contra Temer na semana passada, o PT vinha defendendo a realização de eleição direta como única saída. Mas a baixa adesão às manifestações do último domingo mudaram o quadro. A avaliação é que, pelo posicionamento dos partidos no Congresso, somente um maciço apoio das ruas poderia forçar a aprovação de uma PEC (proposta de emenda à Constituição) para viabilizar a escolha de um novo presidente pelo voto popular.
A questão só deve ser fechada caso Temer deixe o cargo ou seja afastado. Até lá, o partido continuará empunhando a bandeira da eleição direta. Mas alguns petistas já se movimentam para buscar articulações com outras legendas.
Rui Costa defende diálogo
Um dos participantes da reunião de segunda (22), o governador da Bahia, Rui Costa, por exemplo, quer articular uma reunião com todos os governadores do País para debater saídas para a crise. Costa admite que o caminho das eleição indireta deve entrar na pauta do encontro que ele tenta agendar ainda para esta semana.
“Eu, falando como governador que pensa no povo da Bahia e não como filiado ao PT, não tenho bloqueio com nenhuma proposta. Temos que considerar todas hipóteses, inclusive a solução que não seja eleição direta.” (AG)
