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Casos de brasileiros com demência devem quadruplicar em 30 anos

Nos 12 meses encerrados em setembro, a receita atingiu R$ 175 milhões, expansão de 13,64% ante o período anterior. (Foto: Reprodução)

Cerca de 1 milhão de brasileiros sofrem de demência atualmente – a maioria deles têm a doença de Alzheimer. Há 30 anos, eram 500 mil. Daqui a 30 anos, serão 4 milhões.

Esta é a principal conclusão de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e pela Universidade de Queensland, da Austrália. O trabalho foi publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia.

De acordo com os cientistas, os dados são preocupantes mesmo considerando o envelhecimento da população e a melhoria dos diagnósticos. A projeção realizada indica que, se hoje um quarto dos idosos com mais de 80 anos têm algum tipo de demência, daqui a três décadas metade dos idosos brasileiros terá desenvolvido a doença.

“É a primeira vez que fornecemos uma descrição abrangente de pacientes com doença de Alzheimer no Brasil. Mesmo considerando que em todos os países as pessoas vivam o mesmo, ou seja, tirando o ‘efeito da idade’ [sobre a incidência da doença] apesar de estarmos passando por uma transformação demográfica importante, o Brasil tem a segunda maior prevalência do planeta [por 100 mil habitantes, perdendo apenas para a Turquia, e seguido por Nigéria e Gana]”, explica um dos autores do estudo, Natan Feter, pesquisador do Centro de Pesquisas em Exercícios, Atividade Física e Saúde da Universidade de Queensland e da UFPel.

Isso indica um “descontrole dos principais fatores de risco modificáveis para demência”, ou seja, de tudo o que não depende da predisposição genética, da melhor expectativa de vida e do aprimoramento dos diagnósticos, aponta o pesquisador. “O Brasil está num caminho contrário ao de países como Inglaterra e Estados Unidos, onde estamos observando um melhor controle desses fatores”, comenta Feter.

Fatores de risco

Os cientistas estão convencidos de que hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes, sedentarismo e obesidade favorecem o aparecimento de doenças como Alzheimer.

Dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e publicada em outubro do ano passado, 22,8% dos homens adultos e 30,2% das mulheres adultas sofrem de obesidade, ou seja, têm índice de massa corporal maior do que 30. Isso é mais do que o dobro do que o apontado pelo IBGE entre os anos de 2002 e 2003, quando eram obesos 9,6% dos brasileiros e 14,5% das brasileiras.

De acordo com o estudo publicado nesta quarta, 75% das hospitalizações decorrentes de demência no Brasil são atribuídas à inatividade física.

Por outro lado, também é importante manter a cabeça ativa. Hábitos de leitura diminuem as chances de demência. A pesquisa constatou também que aposentados com baixa escolaridade têm mais chances de desenvolver Alzheimer do que os que se mantêm economicamente ativos e os que estudaram mais.

“É claro que o envelhecimento tem um papel muito importante [no desenvolvimento de demência], mas com certeza não é a única razão”, frisa Feter. “Aproximadamente metade dos casos [de demência] são atribuíveis a fatores modificáveis, como hipertensão, obesidade, diabetes e baixa escolaridade.”

Conscientização e prevenção

Um recente levantamento realizado pela organização britânica Alzheimer’s Disease International apontou que dois terços das pessoas acreditam que a demência é parte normal do envelhecimento. A mesma sondagem indicou que 25% da população entende que não há nenhuma maneira de prevenir o aparecimento de doenças como Alzheimer.

Feter acredita que a conscientização da população é a melhor maneira de reverter – ou pelo menos diminuir – a gravidade desse cenário. “Grande parcela da população acredita que não pode fazer nada em relação à demência, que ela é inevitável e tratada como ‘normal’ em decorrência do envelhecimento”, pontua ele. “Contudo, atividade física, ao longo da vida, é importante pare reduzir o risco de diversas doenças.”

O especialista se preocupa com a falta de prevenção no Brasil. “Temos um quadro preocupante: a prevalência [de casos de demência no Brasil] tende a quadruplicar nos próximos 30 anos, e o controle dos fatores de risco não está sendo suficiente”, alerta.

Os pesquisadores defendem que campanhas públicas foquem na importância de hábitos saudáveis, em todas as fases da vida. E que gestores e outras autoridades também preparem as instituições de saúde e serviço social para atender às demandas dessa população, que deve aumentar proporcionalmente.

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