Novo boletim epidemiológico do Observatório Covid-19 Fiocruz divulgado nesta quarta-feira (25) aponta que os números absolutos de casos e mortes permanecem em declínio no Brasil, no entanto, os indicadores pararam de cair na faixa dos idosos.
Os pesquisadores do Observatório ressaltam que, embora alguns Estados estejam iniciando a vacinação em crianças e adolescentes, a prioridade deve ser completar o esquema vacinal da população adulta. Eles defendem, também, um debate técnico sobre alternativas para a aplicação da dose de reforço ou para a combinação de imunizantes em idosos ou imunodeprimidos, desde que estudos apontem essa necessidade.
O boletim alerta que, no levantamento mais recente dos casos mais graves, a partir de Síndromes Respiratórias Agudas Graves, foi observada uma possível reversão de tendência de queda em vários Estados.
Na Semana Epidemiológica de 15 a 21 de agosto foi mantida a tendência de redução do número de mortes no país, que cai 1,5% ao dia. No momento a média é de 770 óbitos/dia. Já a média de casos, que diminuía a 1% ao dia, teve alta de 0,6% nesta semana. Atualmente são registrados 30 mil casos a cada 24h, o que, para os pesquisadores, “ainda pode ser considerado um valor preocupante” e demonstra “a intensa circulação do vírus, com a expansão da variante Delta”.
De acordo com os pesquisadores da Fiocruz, a redução da incidência de casos e da mortalidade é resultado da vacinação. Graças a ela, a taxa de letalidade, que se encontrava em torno de 3%, caiu para 2,6% na última semana.
“Os dados mostram um progresso lento da cobertura vacinal, com uma média de 1 milhão de doses aplicadas por dia. A capacidade do SUS para a distribuição e aplicação de vacinas pode chegar a 2 milhões de doses, cifra que foi alcançada em alguns dias”, afirmam.
Assim, eles reforçam, a necessidade da manutenção do uso de máscaras e distanciamento social. “A vacinação, que seguramente reduz os riscos de agravamento da doença, não impede completamente a transmissão do vírus. A circulação de novas variantes do vírus tem causado infecções, mas não necessariamente um aumento no número de casos graves na mesma proporção, devido à proteção já adquirida pelos diferentes grupos populacionais vacinados.”
Leitos
As taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 no SUS, obtidas em 23 de agosto, continuam apresentando um cenário geral positivo. No entanto, ainda que este seja um quadro animador, é preciso ter cautela frente ao espalhamento da variante Delta do Sars-CoV-2 no país.
O único estado com taxa de ocupação superior a 80% é Roraima (84%). Outras quatro unidades federativas estão na zona de alerta intermediário (entre 60% e 80%): Rio de Janeiro (69%), Paraná (60%), Goiás (64%) e Distrito Federal (63%).
Entre as capitais, 22 estão fora da zona de alerta. Boa Vista, onde se situam os leitos de Roraima, está com a mesma taxa do estado (84%), enquanto a cidade do Rio de Janeiro mantém-se com taxa em nível muito crítico (96%). Curitiba, que apresenta a quarta taxa entre as capitais, se manteve estável (72%). As informações são do jornal O Globo.
