A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) quer mudar uma característica que se tornou comum no futebol brasileiro: a marcação de pequenas faltas durante as disputas de bola. A proposta faz parte de um conjunto de medidas para aumentar o tempo de bola rolando nas partidas do Brasileirão e foi apresentada aos clubes durante a reunião que aprovou a implementação das novas regras da Fifa na competição.
A ideia da CBF é orientar os árbitros a serem mais rigorosos na análise do que realmente deve ser considerado uma infração. Contatos normais de uma disputa, desde que não interfiram diretamente na jogada, deverão ter maior tolerância. A entidade também pretende coibir situações em que jogadores procuram o contato para provocar a paralisação da partida.
A mudança tem como principal objetivo atacar um dos fatores que contribuem para o baixo tempo de bola em jogo no futebol brasileiro. Segundo levantamento contratado pela própria CBF junto à Opta, as interrupções provocadas por faltas e a demora para a retomada das partidas representam uma parcela importante do tempo perdido durante os jogos.
Os números apresentados pela CBF ajudam a dimensionar o problema. O Campeonato Brasileiro registra média de 28,7 faltas por partida, índice superior ao observado nas principais ligas europeias analisadas pela entidade. Na Premier League, da Inglaterra, a média é de 23,6 faltas por jogo. Na Bundesliga, da Alemanha, são 23,3. Na Ligue 1, da França, 27,4, enquanto a La Liga, da Espanha, registra 27,8.
Outro ponto considerado preocupante pela CBF é a diferença entre os próprios árbitros brasileiros.
O profissional que menos marca faltas apresenta média de 22,9 infrações por partida. Já o que mais interrompe os jogos chega a 32,6. A diferença é de quase dez faltas por jogo, evidenciando a falta de uniformidade nos critérios adotados pela arbitragem.
A comparação internacional reforça esse cenário. Na Premier League, por exemplo, a distância entre o árbitro que menos marca e aquele que mais marca é de aproximadamente quatro faltas por partida. No Campeonato Brasileiro, essa diferença chega a cerca de dez.
CBF quer arbitragem mais uniforme
A mudança proposta não significa que os árbitros deixarão de marcar faltas. A orientação é que o contato físico normal do futebol seja diferenciado de uma infração que efetivamente prejudique o adversário ou altere o andamento da jogada.
Na prática, a CBF quer elevar o limite de tolerância para disputas consideradas normais e evitar que jogadores consigam interromper ataques ou contra ataques com contatos mínimos ou faltas cavadas.
A própria entidade reconhece que a mudança pode gerar dificuldades de adaptação. Afinal, trata-se de uma alteração cultural em relação ao modo como algumas disputas são interpretadas atualmente no futebol brasileiro.
Durante a reunião com a CBF, dirigentes também fizeram críticas à falta de uniformidade da arbitragem. Representantes de Vitória e Chapecoense, por exemplo, afirmaram que diferenças de critérios podem prejudicar clubes de menor investimento quando enfrentam equipes consideradas grandes.
Objetivo é chegar aos 60 minutos
A redução das faltas faz parte de uma estratégia mais ampla para aumentar o tempo efetivo de jogo.
Atualmente, a média de bola rolando no Brasileirão está em 52 minutos e 54 segundos. A meta inicial da CBF é elevar esse número para aproximadamente 57 minutos.
Em um segundo momento, a intenção é alcançar a marca de 60 minutos de bola rolando, parâmetro tratado pela Fifa como ideal.
A discussão sobre tempo efetivo de jogo ganhou força internacionalmente e também esteve presente nas mudanças recentes aprovadas pela IFAB, órgão responsável pelas regras do futebol. Entre as medidas adotadas estão limites de tempo para reposições, cobranças de lateral e tiro de meta, além de regras destinadas a reduzir a demora em substituições e atendimentos médicos.
No Brasil, a CBF pretende combinar essas medidas com uma mudança no comportamento da arbitragem. A lógica é simples: menos interrupções, mais bola rolando e maior tempo efetivo de futebol.
Se a proposta funcionar, o torcedor poderá perceber uma diferença não apenas no número de faltas marcadas, mas principalmente no ritmo das partidas. As informações são do Diário de S.Paulo.
