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Servidores da Agência Brasileira de Inteligência são presos por uso irregular de sistema para rastrear celulares

Entre os atrasos está a verificação da delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid. (Foto: PF/Divulgação)

A PF (Polícia Federal) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (20), a Operação Última Milha, que investiga o uso indevido de um sistema de geolocalização para rastrear celulares, sem autorização judicial, por servidores da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Dois servidores foram presos e outros cinco afastados dos seus cargos.

Os policiais federais cumpriram 25 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva, além de medidas cautelares diversas da prisão, em São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Distrito Federal. As medidas judiciais foram expedidas pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

As investigações apontam que adversários do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e jornalistas estão entre os alvos do monitoramento ilegal. Policiais, advogados, juízes e ministros do STF também teriam sido espionados.

De acordo com as investigações, o sistema de geolocalização utilizado pela Abin é um software intrusivo na infraestrutura crítica de telefonia brasileira. A rede de telefonia teria sido invadida reiteradas vezes, com a utilização do serviço adquirido com recursos públicos. A ferramenta é israelense.

Além do uso indevido do sistema, apura-se a atuação de dois servidores da agência que, em razão da possibilidade de demissão em processo administrativo disciplinar, teriam utilizado o conhecimento sobre o uso indevido da ferramenta como meio de coerção indireta para evitar a demissão.

Os investigados podem responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de invasão de dispositivo informático alheio, organização criminosa e interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.

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