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Chacinas não alteram leis de controle de armas de fogo nos Estados Unidos

Nikolas Cruz aparece em tribunal pela primeira vez após cometer ataque que matou 17 pessoas em escola do ensino médio da Flórida. (Foto: Reprodução)

Quatro dos dez mais sangrentos ataques a tiros nos Estados Unidos ocorreram nos últimos dois anos – incluindo os dois no topo da lista em número de vítimas. Mas nem isso motivou mudanças nas leis. Sequer pontos nos quais houve acordo entre os dois partidos após o massacre de Las Vegas no ano passado – o mais mortífero da História do país, com 58 mortos e 500 feridos – avançaram: a proibição de acelerador de tiros para fuzis e o fechamento das brechas ao sistema de verificação de antecedentes criminais.

“Isso é um ataque ao nosso país, que está pagando o preço por nossa falta de ação”,  disse Nancy Pelosi, líder na Câmara dos Representantes dos democratas, partido que defende um maior controle de armas.

A legenda já tentou, após o ataque à boate Pulse, em Orlando, em 2016 (49 mortos), impedir que quem estiver na lista de suspeitos de terrorismo possa comprar armas, mas nem isso passou. Também tentou, sem sucesso, votar a proibição da venda de fuzis à população, liberada pelo presidente George W. Bush. Os republicanos, defensores do direito ao porte de armas previsto na Segunda Emenda à Constituição, se opõem a qualquer mudança. O partido é próximo – e recebe muitas doações – da poderoso lobby da Associação Nacional de Rifles (NRA).

Em nota, a Brady Campaign to Prevent Gun Violence, ONG de controle de armas, lembra que se a Flórida tivesse leis impedindo a venda de armas a pessoas que geram “riscos extremos” – norma que existe em quatro dos 50 estados americanos – a tragédia de quarta-feira, com 17 mortos e 14 feridos, poderia ter sido evitada. Isso porque o atirador confesso, o ex-estudante Nikolas de Jesus Cruz, de 19 anos, não teria a permissão para comprar o AR-15 que utilizou na chacina, pois sua mãe já havia pedido ajuda policial por sua causa, o que o colocaria, se a lei existisse, em uma “lista negra”.

Dados do atirador – que está vivo e detido, algo raro nestes casos, quando em geral terminam mortos ou cometem suicídio – indicam problemas sociais e psiquiátricos. Integrante de um grupo supremacista branco, o República da Flórida (segundo o líder da organização, que rejeitou responsabilidade no ataque), ele teve treinamento paramilitar. Cruz havia sido expulso da escola onde executou o massacre e já havia enviado mensagens de ódio no YouTube e em redes sociais, dizendo que se tornaria um “atirador profissional de escolas”. Estas mensagens foram obtidas previamente pelo FBI, que não o rastreou.

Atendimento psiquiátrico

O condado de Broward, onde está Parkland, reconheceu que ele recebeu tratamento psiquiátrico por um ano, mas deixou o programa depois da morte de sua mãe adotiva, em novembro. Depoimentos indicam que ele ficou deprimido com a perda. Trabalhando em uma loja de produtos baratos (“loja de 1,99” nos EUA), sempre foi considerado um sujeito pouco sociável por colegas e com histórico de violência na escola.

Apesar das evidências de que este caso poderia ter sido impedido com regras mais fortes sobre armas, o presidente Donald Trump evitou tratar do tema – como fez no passado.

“Tantos sinais de que o atirador da Flórida era um perturbado mental, expulso, inclusive, da escola por sua conduta má e errática. Os vizinhos e os colegas de turma sabiam que era um grande problema. É preciso informar esses casos às autoridades sempre, de novo e de novo!”, escreveu o presidente no Twitter.

Mais tarde, em uma coletiva na Casa Branca, Trump expressou condolências e disse que visitará a escola. E expôs seus planos:

“Tornar as nossas escolas e os nossos filhos mais seguros será a nossa principal prioridade”, disse, sem pronunciar nenhuma palavra sobre o controle de armas.

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