O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi chamado de gângster, ladrão e golpista por deputados que votaram contra a aceitação do impeachment. Nos cerca de dez segundos que cada um teve para votar, sobraram manifestações políticas contra o governo, mensagens a familiares, a eleitores, e denúncias contra o que consideram um golpe.
Cunha não respondeu a ataques, como é seu costume. Em seu voto, o deputado, evangélico, se limitou a dizer que espera que Deus tenha misericórdia do País.
Força
Mesmo hostilizado em rede nacional, Cunha saiu mais forte da sessão que aprovou o impeachment, na avaliação de aliados que pretendem usar a votação para enterrar o processo no Conselho de Ética e manter o peemedebista na presidência da Câmara. Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) diz que o empenho do colega para derrubar o governo deve ser retribuído por partidos como PSDB e DEM. “A oposição está satisfeita. Se não fosse o Cunha, não haveria impeachment.”
O deputado Paulinho da Força (SD-SP) tentará convencer deputados a perdoar o peemedebista. “Ele merece ser anistiado.” No momento, os aliados só veem um risco: a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal afastá-lo do cargo.
