O ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Adel al-Jubeir, queixou-se neste sábado (27) de que a resposta internacional pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, cometido há três semanas no consulado saudita em Istambul, na Turquia, tem sido “histérica”.
“A questão tornou-se histérica. As pessoas estão culpando a Arábia Saudita antes de se completar a investigação”, disse Al-Jubeir, em discurso no fórum Diálogo Manama, organizado pelo IISS (Instituto Internacional de Estudos Estratégicos), em Bahrein.
O chanceler saudita reiterou que seu país deixou “muito claro” que investigará o caso, que compartilhará os resultados das investigações e punirá os responsáveis “para assegurar que isso não aconteça novamente”.
O Ministério Público da Arábia Saudita reconheceu, na última quinta-feira (25), que a morte de Khashoggi, ocorrida no dia 2 deste mês, foi um assassinato premeditado. A Turquia pediu que a Arábia Saudita providencie a extradição dos 18 suspeitos do assassinato, para que sejam julgados pelos tribunais turcos.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, James Mattis, que também participa do evento, afirmou que o assassinato de Khashoggi “mina a segurança regional”. “O assassinato de Khashoggi deve preocupar a todos. O fracasso de qualquer nação em aderir às normas internacionais e do Estado de Direito mina a estabilidade regional em um momento em que é necessário”, disse Mattis, em seu discurso.
Apesar das suas declarações sobre Khashoggi, Mattis reiterou o compromisso de seu país com os aliados árabes contra o Irã, ao qual acusou de apoiar a Al Qaeda, além de armar outros grupos terroristas e de ameaçar a segurança marítima.
Presidente turco
O presidente turco Tayyip Erdogan pediu na sexta-feira (26) que a Arábia Saudita revele quem deu a ordem para matar o jornalista Jamal Khashoggi, assim como a localização de seu corpo, dizendo que a Turquia tem mais informações sobre o caso do que as que compartilhou até agora.
Erdogan também disse que Riad precisa revelar a identidade do “cooperador local” que autoridades sauditas disseram ter levado o corpo de Khashoggi depois que o jornalista foi assassinado no consulado saudita em Istambul no dia 2 de outubro.
A morte de Khashoggi desencadeou repreensão global e se transformou em uma crise para o maior exportador de petróleo do mundo e para o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, líder de fato do reino.
“Quem deu a ordem?”, disse Erdogan em discurso para membros de seu partido AK, em Ancara. “Quem deu a ordem para que 15 pessoas viessem à Turquia?”, afirmou, em referência a uma equipe de segurança de 15 membros que a Turquia disse ter ido a Istambul apenas horas antes do assassinato.
Na quinta-feira, o promotor público da Arábia Saudita afirmou que o assassinato do jornalista foi “premeditado”, mudando a versão oficial do reino para o crime contra o dissidente. Inicialmente, quando a Turquia divulgou o desaparecimento do jornalista, Riad disse que ele tinha saído do edifício.
Depois, sob pressão internacional, confirmou a morte, mas afirmou que foi resultado de uma briga com agentes sauditas que haviam ido a Istambul negociar sua volta ao reino, sem o conhecimento de Bin Salman. Erdogan também disse que o procurador-geral da Arábia Saudita irá se encontrar com o procurador de Istambul no domingo.
