Uma cidade da Indonésia resolveu incentivar a vacinação contra a covid-19 de uma forma inusitada: a cada dose, uma galinha, viva, é dada de presente aos vacinados.
O país tem relatado uma baixa aderência na vacinação entre a população mais idosa, que se diz com medo da injeção, e a ideia da prefeitura de Cianjur, a 100km de Jacarta, parece render frutos.
“Os idosos não querem se vacinar por uma série de razões”, disse em entrevista o chefe da polícia local, Galih Aprian. “Alguns até dizem que vão se vacinar, mas nunca aparecem.”
A cidade decidiu então ir atrás da população para aplicar a vacina, e em troca, dão uma galinha, que pode se tornar alimento em um país em que quase 10% da população vive abaixo da linha da pobreza, segundo o Banco de Desenvolvimento Asiático (ADB, em inglês).
Com o presente, as autoridades regionais acreditam incentivar a adesão às vacinas – que a quase seis meses do início da campanha de imunização no país ainda segue bastante lenta.
Outra preocupação entre os habitantes do país de maioria muçulmana é a de que o imunizante seja halal, ou permitido pelo Islã.
A indonésia faz uso da vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa SinoVac, conhecida no Brasil como a CoronaVac, produzida em parceria com o Instituto Butantan (SP).
O imunizante é seguro e eficaz, e foi aprovado para uso emergencial pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – e recebeu permissão islâmica de líderes religiosos.
A Indonésia é o 4º país mais populoso do mundo, com mais de 270 milhões de habitantes, mas até o momento conseguiu vacinar apenas 5% de sua população (cerca de 9 milhões).
Nas últimas 24 horas, o país registrava quase 2 milhões de casos confirmados da doença e 53 mil mortos por complicações da covid-19.
Paquistão
Preocupadas com o ritmo lento da vacinação contra o coronavírus, autoridades paquistanesas decidiram tomar medidas drásticas, incluindo o bloqueio do serviço de telefonia celular em duas províncias e a suspensão dos salários de alguns funcionários do governo que não foram vacinados.
A justificativa apresentada foi a necessidade de enfrentar o profundo ceticismo tanto sobre as vacinas contra covid-19, quanto sobre a campanha de imunização de forma mais ampla. Ainda não há informações sobre quando a medida entrará em vigor ou como será executada.
O Paquistão luta há muito tempo com a desinformação sobre vacinas que se mostraram seguras e eficazes, especialmente para a poliomielite. Os pais geralmente recusam a imunização contra a poliomielite para seus filhos, acreditando falsamente que a vacina é prejudicial e parte de uma trama norte-americana para esterilizar as crianças.
Essa recusa fez do Paquistão o último refúgio para o vírus da pólio no mundo, além do vizinho Afeganistão. Mas agora as teorias da conspiração sobre os efeitos colaterais da vacina contra o coronavírus se espalharam no país.
O governo estabeleceu uma meta de vacinar entre 45 milhões e 65 milhões de pessoas até o final deste ano e recentemente anunciou planos de gastar US$ 1,1 bilhão na aquisição de doses.
No entanto, até a última terça (15), o Paquistão havia vacinado com as duas doses cerca de 3 milhões de pessoas — menos de 2% de sua população — desde o início da campanha de vacinação em 3 de fevereiro, de acordo com dados do governo.
