A expectativa era grande, e ela não decepcionou. A microbiologista Natália Pasternak foi uma das convidadas da CPI da Covid desta sexta-feira (11), para elucidar dúvidas dos senadores sobre alguns termos que não saem da boca do povo desde que a pandemia de covid-19 começou: cloroquina, vacina, máscara e futebol.
Quer dizer, futebol entrou de penetra na lista desde que a Copa América mudou-se para o Brasil e, a partir de agora, desde que a cientista mostrou um novo olhar sobre o papel do goleiro nas quatro linhas.
“Vacinas são como goleiros, não são infalíveis, mas o desempenho depende também de uma boa defesa”, declarou.
E não parou por aí. Quando reafirmou sua posição contra o chamado “tratamento precoce” — defendido pelos governistas como forma de combater o coronavírus —, Pasternak usou da didática e abusou da ironia para não deixar qualquer dúvida sobre o que pensa a respeito da defesa do uso de drogas como a cloroquina.
“Não funciona em camundongos, não funciona em macacos, não funciona em humanos. Só não testamos em emas porque elas fugiram!”, disse.
E também como o esperado, o clímax da participação de Natália se deu quando a cientista se deparou com as perguntas e comentários do senador Luís Carlos Heinze (PP-RS).
Famoso pela defesa que faz do uso de cloroquina, ivermectina, ozônio e demais drogas que compõem o “kit covid” do governo, o parlamentar insistiu que os medicamentos foram essenciais na cura de mais de 15 milhões de brasileiros infectados pelo coronavírus. E teve sua resposta:
“Essas 15 milhões de pessoas também tomaram ‘chazinho’ da avó, deram 3 pulinhos e uma volta no quarteirão, senador.”
Sem dois lados
A microbiologista Natalia Pasternak afirmou nesta sexta à CPI da Covid no Senado que a ciência “não tem dois lados”.
Ela deu a declaração após o senador Eduardo Girão (Pode-CE), defensor de medicamentos do chamado tratamento precoce, defender um debate de especialistas contrários e favoráveis ao uso desses remédios, comprovadamente ineficazes contra a doença.
“Ouvir um lado e ouvir o outro. Isso seria mais interessante do ponto de vista de ver eventuais contradições”, afirmou.
Natalia Pasternak disse que esse princípio não se aplica à ciência.
“É importante salientar que princípios do jornalismo — e da política também — de sempre observar o contraditório, eles não se aplicam para a ciência porque a ciência é um processo investigativo, dos fatos, da realidade. E aí não cabe o contraditório. A ciência não tem dois lados. E isso não é por desrespeitar opiniões alheias, mas pelo modo como a ciência trabalha, que é um processo empírico de investigação”, afirmou a especialista.
