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Cientistas explicam por que mulheres têm tanto frio com o ar-condicionado

Molly Mahannah usa moletom e se cobre em uma agência de web design em Omaha, Nebraska (EUA). Crédito: Reprodução

Os verões são quentes em Omaha (Estado de Nebraska, nos EUA), onde a temperatura pode atingir os 38 graus Celsius. Mas Molly Mahannah, 24 anos, está preparada. No escritório, ela se cobre com casacos de lã e moletons largos que ficam guardados em seu gaveteiro. Depois, ela diz: “eu tenho um cobertor enorme na minha mesa e eu me embrulho.” Ela escreveu no Twitter que ela se sentia como um white walker, espécie de zumbi de gelo da série “Game of Thrones”. Segundo ela, outra colega de trabalho também costuma se cobrir. Mas e os homens? “Eles usam bermudas.” Acontece todo verão: escritórios ligam seu ar-condicionado e congelam as mulheres.

Finalmente, cientistas estão buscando um fim para o problema. O estudo deles, publicado na revista científica Nature Climate Change, diz que a maior parte dos edifícios de escritórios ajustam a temperatura baseados em uma fórmula de décadas atrás e que usa taxas metabólicas de homens. O estudo conclui que edifícios que ajustarem a temperatura para níveis um pouco mais quentes poderiam ajudar a combater o aquecimento global. “Em vários prédios, você vê que a energia consumida é muito alta porque o padrão é calibrado para a produção de calor do corpo masculino”, diz Boris Kingma, coautor do estudo e biofísico da Universidade de Maastricht, na Holanda.
O estudo diz que os termostatos dos edifícios seguem um “modelo de controle térmico que foi desenvolvido nos anos 1960”, que considera valores como temperatura do ar, velocidade do ar, pressão de vapor e isolamento por tecidos. Tal equação é convertida para uma escala de sete pontos, e comparada com a “porcentagem prevista dos não satisfeitos”, uma medida de quantas pessoas provavelmente se sentirão desconfortáveis com frio ou calor. Parece simples o suficiente.

Mas Kingma e seu colega Wouter van Marken Lichtenbelt escrevem que uma variável na fórmula, a taxa metabólica em repouso (quão rápido geramos calor), é baseada em um homem de 40 anos que pesa 70 quilos.
Passado.

Talvez esse homem tenha representado, no passado, a maioria das pessoas presentes nos escritórios. Agora, no entanto, as mulheres constituem metade da força de trabalho e geralmente tem taxas metabólicas menores que os homens – porque elas são menores e tem mais gordura, que gera menos calor para o ambiente do que músculos. “Se as mulheres têm uma necessidade menor por resfriamento, isso significa que energia pode ser economizada, porque justamente agora nós estamos resfriando apenas os homens”, diz o físico Joost van Hoof. “Muitos homens pensam que mulheres estão com frescura”, diz, “mas é a fisiologia delas”. Os autores também notam que o modelo nem sempre é calibrado adequadamente para considerar mulheres vestindo saias ou sandálias.

Os pesquisadores testaram 16 mulheres, estudantes na terceira década de vida, trabalhando sentadas e usando roupas leves em câmaras respiratórias, que rastreiam o oxigênio inalado e o dióxido de carbono exalado. A temperatura da pele foi medida em vários pontos, como mãos e abdome. Um termômetro em fórmula de pílula foi engolido pelas voluntárias para medir a temperatura interna do corpo.

Os pesquisadores viram que a taxa metabólica média das mulheres ficava entre 20% e 32% abaixo daquela usada nas tabelas usadas para calibrar as temperaturas. Então eles propuseram ajustar o modelo para incluir a taxa real das mulheres e dos homens, além de fatores como isolamento por tecido corpora, não somente por roupas. Por exemplo, pessoas que pesam mais se aquecem mais rápido e pessoas mais velhas tem taxas metabólicas mais lentas, diz o estudo.
Quão quente um escritório ficaria iria variar, claro, mas o estudo cita pesquisas achando até 3 graus de diferença entre a preferência de homens e mulheres. Homens prefeririam uma sala a 21 graus – temperatura-padrão – e mulheres a 24 graus, diz Kingma.

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