Pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), integrantes da força-tarefa para investigar o zika vírus e a relação com o aumento de casos de microcefalia, afirmaram que, embora não haja comprovação que a doença tenha se espalhado pelo Estado de São Paulo, é preciso se preparar para um cenário epidêmico entre março e abril, quando a população do mosquito Aedes aegypti atinge o pico. “O que vai acontecer, eu não sei, mas estamos nos preparando para um surto massivo nesse verão”, disse Paolo Zanotto, virologista do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Na sexta-feira, o grupo passou a contar com o apoio do Instituto Pasteur de Dacar, do Senegal.
Uma das principais áreas de colaboração dos cientistas africanos é no desenvolvimento de métodos mais precisos e rápidos de diagnóstico do zika. Entre as técnicas trabalhadas está um teste rápido de detecção, como já existe para a dengue.
Amadou Sall, diretor científico do Instituto Pasteur de Dacar, explicou que os testes rápidos podem ser muito importantes para o diagnóstico da doença em regiões mais carentes do Brasil, como cidades localizadas no interior do Nordeste que estão vivendo surtos de microcefalia. Uma versão final do teste rápido, que poderá ser desenvolvido em larga escala e comercialmente, no entanto, pode demorar alguns meses para ser finalizado, de acordo com Sall.
Os cientistas avaliam a possibilidade de mais de um fator estar associado ao aumento da microcefalia. Conforme Sall, o fato de duas coisas estarem acontecendo ao mesmo tempo no mesmo lugar não significa que uma esteja causando a outra.
