Em encontro com empresários e sindicalistas patronais, o pré-candidato do PDT, Ciro Gomes, defendeu a dissolução do acordo em que a Boeing comprou 80% da área de aviação comercial da Embraer. Ciro disse que enviou uma carta aos presidentes das duas empresas orientado-os a não consumar a fusão até que o próximo presidente tome posse, e que não vê uma possibilidade “saudável” de acordo.
“Esse acordo feito no estertor de um governo e na iminência de 84 dias de uma eleição presidencial é clandestino e absolutamente ameaçador da segurança nacional brasileira. Portanto, ele não deveria ser consumado, e, se for, tem que ser desfeito”, declarou Ciro.
Na exposição, em um evento promovido pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), na capital paulista, Ciro citou a defesa como uma das áreas estratégicas para o desenvolvimento do País, e que, por isso, enviou uma carta “respeitosa” à Boeing na segunda-feira (16).
“A Embraer, por conta do governo, desenvolveu uma joia tecnológica, que é um avião chamado KC-390. Esse avião está na fase final de homologação dos testes. Ele já tem uma fila de encomenda que sinaliza um mercado de US$ 20 bilhões”, disse.
Ainda no evento, Ciro, que é defensor da revogação da reforma trabalhista, aprovada pelo presidente Michel Temer, moderou o tom. O presidenciável justificou a declaração de revogar pura e simplesmente a reforma, a que já classificou como uma “porcaria”, por sua origem de militante.
“O que farei é trazer a bola de volta para o meio do campo e rediscutir a reforma trabalhista”, disse, reforçando que nada será revogado sem que uma nova proposta seja aprovada.
O ajuste no discurso também é visto como uma tentativa de se aproximar dos partidos do chamado “blocão”. Ao amenizar o tom, ele atenderia, inclusive, a uma demanda do DEM, partido que ele também luta para ter o apoio.
Em meio às negociações para o fechamento de alianças na disputa presidencial, Ciro disse que todas as sugestões em discussão com partidos de centro-direita do chamado “blocão” são bem-vindas e nenhuma fere princípios, ou seja, são possíveis de serem conciliadas ao seu plano de governo.
“Não quero ser dono da verdade, não quero ser ditador do Brasil. Quero reunir as melhores ideias para que o país celebre um novo projeto nacional de desenvolvimento”, disse, a jornalistas, após o evento.
Para tentar dar celeridade à conquista de apoio de partidos como DEM, PP, PRB, SD e PR — chamado de blocão — , o assessor econômico de Ciro, Mauro Benevides, foi escalado para dialogar nesta terça-feira com técnicos indicados por algumas das siglas. O objetivo, segundo um dos caciques do blocão, é o de chegar a um consenso sobre as propostas até o fim da semana que vem.
Entre os pontos mais delicados, segundo interlocutores, estão as reformas trabalhista e da Previdência e a intenção de Ciro de estabelecer um limite de gastos para pagamento de juros da dívida pública.
Os caciques do blocão já tiveram duas grandes reuniões em Brasília e em São Paulo desde a semana passada. Questionado sobre quais pontos foram debatidos no último sábado com lideranças do PP, PRB, DEM e SD, Ciro limitou-se a dizer que os parlamentares pediram para conversar sobre seu programa de governo, mas que não entraram em detalhes. As negociações continuam nesta semana, com um novo encontro marcado para esta quinta-feira (19).
Mais distante das negociações parlamentares do PR, ligados ao empresário Josué Gomes, filiado ao partido e sondado por Ciro para ser vice, têm manifestado apoio ao pedetista. O momento é oportuno, já que a relação entre o PR e o PSL de Jair Bolsonaro esfriou depois que o senador Magno Malta desistiu de ser vice do ex-capitão do Exército para concorrer à reeleição do Senado, e também diante da resistência de Valdemar Costa Neto, principal liderança do PR, em ceder às imposições de Bolsonaro em alguns estados, como Rio de Janeiro e São Paulo. Ciro afirma que também espera o apoio da sigla.
