Embora seja difícil indicar com exatidão como ficará a saúde financeira do esporte após a pandemia do coronavírus, a lógica conduz a um cenário preocupante. Estudo da consultoria EY estima que o impacto direto nos clubes brasileiros em 2020 será de R$ 981 milhões. Ampliando o espectro, levando a projeção para toda a indústria da bola (o que inclui serviços de logística, hotéis, etc), a estimativa é de uma perda de R$ 4,4 bilhões na temporada.
Segundo estudo recente da mesma EY, toda cadeia do futebol brasileiro correspondeu em 2018 a 0,72% do PIB nacional. Com as perdas estimadas para 2020, a participação do universo da bola na economia nacional teria uma redução de 0,11%.
Para os clubes, a previsão é de perdas em três vertentes principais: pay-per-view, transferências de atletas e receitas em dias de jogos.
Cenário considerado
Se o momento atual não permite vislumbrar quando e como o futebol brasileiro voltará à ativa, a EY fez as contas considerando retorno progressivo dos hábitos do torcedor. No que diz respeito às competições, foi considerado que os estaduais acabariam do jeito que estão ou em partidas com portões fechados. No Brasileirão, que manteria seu formato de pontos corridos, as 10 primeiras rodadas teriam portões fechados. Na Copa do Brasil, outras duas rodadas sem torcida.
Foi feita uma estimativa de redução de 30% da média de público nos torneios nacionais por causa da crise econômica. Com isso, o desfalque nas receitas de matchday dos clubes seria de R$ 91 milhões.
“Essa é uma receita irrecuperável”, alerta Gustavo Hazan, gerente senior da EY.
A consequência para a cadeia, como um todo, é a diminuição de empregos nas operações de jogos. A estimativa de queda é de 11%, o que representa 17 mil postos.
Mas, pela projeção, o maior volume de perda direta para os clubes será na venda de jogadores: queda de R$ 630 milhões em relação a 2018 (50%). Naquele ano, os clubes das Séries A e B somaram R$ 1,2 bilhão em transferências.
“É uma reação em cadeia. Os maiores compradores também não vão comprar, estão revendo investimentos, vai haver um impacto direto no caixa”, avaliou Pedro Daniel, líder de esportes da EY.
Em pay-per-view, que corresponde a 35% da verba total dos direitos de transmissão dos clubes do Brasileirão, a estimativa é que a perda seja de R$ 260 milhões. Isso seria reflexo de uma redução de aproximadamente 40% da base de torcedores.
O objetivo do estudo não é apenas trazer um cenário de preocupação para o futuro, mas também mobilizar os clubes para uma retomada rápida das atividades.
“Planos de gestão de crise precisam ser acionados”, considera Pedro Daniel.
Gustavo Hazan vai além: “Os clubes devem estar preparados para cada estágio, como treinos e jogos”.
