A expectativa de prolongamento da elevada liquidez global manteve os investidores na ponta compradora de ações na bolsa paulista, cujo principal índice cravou a sétima alta seguida nesta sexta-feira (4), para nova máxima histórica.
Após movimento errático nas primeiras horas da sessão, o Ibovespa (IBOV) firmou-se no azul, para fechar em alta de 0,4%, chegando ao inédito fechamento em 130.125,78 pontos. Com isso, o índice registrou ganhos de 3,63% na semana, que foi marcada pela continuidade no rali das commodities, algo que beneficia principalmente as ações das blue chips Petrobras (PETR3; PETR4) e Vale (VALE3).
O giro financeiro do pregão, espremido entre feriado e o final de semana, somou 33,1 bilhões de reais.
O mote do dia foi o esperado dado de criação de empregos nos Estados Unidos em maio. O número veio abaixo das previsões, o que foi interpretado como motivo para o Federal Reserve (banco central do país) seguir com sua política monetária expansionista.
Em Wall Street, os três principais índices – Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq – fecharam com altas robustas. O apetite por risco inflou moedas de países emergentes, como o real, em nova máxima desde dezembro.
Com a combinação de alta das ações e apreciação do câmbio, o Ibovespa em dólar já sobe 35,5% desde a mínima no ano registrada no começo de março.
Segundo profissionais do mercado, esse movimento reflete melhores expectativas de retomada econômica diante do avanço da vacinação contra a covid, o que foi expresso nos dados do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do primeiro trimestre, divulgados nesta semana, e que vieram bem acima das expectativas.
“O destaque foi a alta dos bancos, principal porta de entrada dos investidores estrangeiros na bolsa brasileira por conta da ampla liquidez”, afirmou Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora.
Na terça (1), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a economia brasileira cresceu 1,2% na comparação com o trimestre anterior e 1% em relação aos primeiros três meses do ano passado. A expectativa dos economistas era de avanço de 1% na comparação com o quarto trimestre e de 0,8% na base anual, algo que gerou uma onda de revisões nas projeções dos economistas para o PIB em 2021.
Dia 4, no entanto, o dia começou com fraqueza na Bolsa, com uma oposição entre o desempenho dos ADRs, na prática as ações de empresas brasileiras negociadas na Bolsa de Nova York, no dia anterior e a alta das bolsas internacionais depois do Relatório de Emprego dos Estados Unidos frustrar expectativas.
O famoso “payroll” mostrou a criação de 559 mil empregos em maio, enquanto os economistas esperavam pela geração de 650 mil vagas. Esse resultado veio na contramão do que foi divulgado pelo Relatório ADP de quinta (3). Aquele indicador havia trazido a geração de 978 mil vagas no setor privado americano no mês passado, bem acima das 650 mil que os economistas estavam projetando segundo dados compilados pela Refinitiv.
Um dado de emprego negativo, apesar de colocar no horizonte alguma dose de preocupação com a saúde financeira da maior economia do mundo, também traz consigo interpretações de que o Federal Reserve, o banco central dos EUA, manterá sua política monetária ultraestimulativa por mais tempo. Isso significa mais liquidez e dinheiro no bolso dos investidores para aplicar na renda variável, o que impulsiona ativos de risco mundo afora.
O presidente dos EUA, Joe Biden, comemorou o resultado do payroll e disse que era “uma boa notícia para a economia e o povo do país. O democrata se classificou como alguém “extremamente otimista” com o futuro da economia americana.
Por aqui, na véspera, o presidente Jair Bolsonaro falou em live sobre a crise hídrica, que qualificou como a maior da história do país. “Não se tem notícia de quando é que passamos tanto tempo sem chover no Brasil”.
A revista The Economist estampou o Brasil em sua capa pela quarta vez em sua história e enfatizou o papel do governo Bolsonaro sobre a crise atual. “Seus comparsas substituíram funcionários de carreira. Seus decretos têm forçado freios e contrapesos em todos os lugares”, afirma a publicação.
