Em meio a um impasse com os pré-candidatos à prefeitura de São Paulo, o PT resolveu ampliar a votação que irá escolher o candidato petista na eleição. A decisão deve ser tomada em 16 de maio, por meio do voto de cerca de 600 pessoas que compõem os diretórios regionais do partido na capital paulista.
A decisão contemplou a maior parte dos pré-candidatos que estavam insatisfeitos por desejarem uma votação em que todos os filiados pudessem participar. No entanto, essa solução de meio termo, costurada com o ex-presidente Lula, ainda não representa um consenso.
A candidatura petista em São Paulo está sem solução desde que o ex-prefeito Fernando Haddad se recusou a concorrer. As outras opções do partido são nomes menos conhecidos da população.
Para lideranças petistas, o ex-deputado Jilmar Tatto, que é o favorito na eleição interna, pode levar a uma derrota acachapante na capital. Em 2018, ele terminou em sétimo na eleição para o Senado, com 6% dos votos.
Nos últimos dias, o acirramento entre os pré-candidatos cresceu a ponto de Lula ser chamado a apaziguar a questão em uma conversa com todos eles realizada na última segunda-feira (27). O ex-presidente salientou a importância de São Paulo no cenário nacional, pregou entendimento entre os petistas e ressaltou que era desejável ampliar o colégio que escolherá o candidato.
A nova definição tomada pelo diretório nacional da sigla representa uma ampliação da decisão anterior, de que somente os membros do diretório municipal, 46 pessoas, escolheriam o candidato. O modelo anterior havia sido definido pelo PT para todas as cidades, inclusive São Paulo — nas que possuem mais de 100 mil eleitores, a executiva nacional deveria referendar a escolha.
A votação restrita estava marcada para essa quinta (30), mas o modelo foi contestado pela maioria dos pré-candidatos e acabou sendo abandonado. Agora, a nova votação deve ocorrer de forma virtual no dia 16 de maio, após debates no dia anterior.
Antes da pandemia do coronavírus se instalar no País, o partido tinha prévias marcadas para 22 de março, que foram canceladas para evitar aglomeração. Nelas, aproximadamente 170 mil filiados do PT no município estariam aptos a votar — a expectativa era de que 20 mil participassem de fato.
O cancelamento das prévias deu início aos desentendimentos internos que acabaram por atrasar a escolha petista, enquanto outros partidos já definiram seus nomes e se preparam para a disputa. A realização da própria eleição, no entanto, é uma incógnita devido à pandemia, e há chances de que o pleito municipal seja adiado em algumas semanas.
A maior parte dos pré-candidatos do PT preferia que o partido mantivesse as prévias, realizando a votação online. Os deputados Alexandre Padilha, Paulo Teixeira e Carlos Zarattini, além do vereador Eduardo Suplicy e do urbanista Nabil Bonduki, se posicionaram a favor de um colégio eleitoral com abertura a todos os filiados para uma escolha democrática.
Já Tatto, na dianteira por controlar a maior parte da máquina petista na capital, argumenta que filiados da periferia, onde ele detém vantagem eleitoral, podem não ter acesso a uma votação online por falta de celular ou internet.
A ativista do movimento negro Kika Silva, que também é pré-candidata, compartilha da tese de que a votação online é excludente.
Os pré-candidatos chegaram a recorrer ao diretório nacional do PT pedindo as prévias online, mas os recursos foram indeferidos.
O modelo agora definido pela cúpula do PT foi proposto pelo presidente do diretório municipal paulistano, Laércio Ribeiro, na reunião com Lula. A ideia foi aprovada pela maior parte do diretório municipal, onde Tatto tem maioria, e foi endossada no mesmo dia pelo diretório nacional em reunião virtual. A votação foi de 56 a 13, com duas abstenções.
