Enquanto o Talibã expande rapidamente seu domínio no Afeganistão, apertando o cerco à capital Cabul, países do Ocidente, como a Noruega e a Dinamarca, anunciaram nesta sexta-feira (13) o fechamento de suas embaixadas no país. Outras nações pediram para que seus cidadãos deixem o Afeganistão, com o Reino Unido anunciando o envio de uma missão militar para apoiar a saída de britânicos da nação asiática.
Também nesta sexta-feira começaram a desembarcar no país a primeira leva dos 3 mil militares dos Estados Unidos que devem chegar a Cabul até domingo para auxiliar na retirada dos funcionários da embaixada e de cidadãos americanos. O envio do reforço se deve ao avanço do Taleban, ocorrendo separadamente ao plano de retirada das tropas americanas e de seus aliados da Otan até 31 de agosto.
Apesar da retirada dos funcionários, Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado, afirmou que a embaixada não será fechada.
“Como sempre dissemos, o ritmo acelerado do empenho militar do Talibã e o aumento na violência e instabilidade em todo o Afeganistão são de grande preocupação”, disse. “Temos avaliado a situação da segurança todos os dias para determinar a melhor forma de manter seguros os que servem em nossa embaixada.”
Citando quatro fontes anônimas, a agência Reuters afirmou que o presidente Joe Biden vem mantendo conversas em segredo com diversos países para conseguir asilo temporário para afegãos que trabalharam para o governo americano. Temendo retaliações do Talibã, 1,2 afegãos já embarcaram em direção aos EUA, número que deve aumentar para 3,5 mil nas próximas semanas. Por causa do rápido avanço do grupo extremista, Washington trabalha para encontar países que possam abrigá-los até que sua documentação esteja finalizada para poderem se mudar para os EUA.
Já tanto a Noruega como a Dinamarca anunciaram o fechamento de suas embaixadas e a evacuação de seus funcionários. Enquanto Oslo afirmou que a retirada também se aplica a afegãos que prestaram serviço ao país e a suas famílias, Copenhage havia dito na quarta-feira que propôs evacuar de 45 afegãos que trabalham ou trabalharam para sua embaixada.
A Alemanha, por outro lado, informou que vai reduzir o número de funcionários em sua embaixada em Cabul ao “mínimo possível”, acrescentando que o objetivo é retirar também auxiliares afegãos. A Holanda também disse que irá evacuar funcionários, mas não especificou quantos por motivos de segurança e admitiu que pode ter que fechar a embaixada.
A Finlândia irá manter sua embaixada aberta, mas vai retirar funcionários, assim como “até 130 afegãos que estavam empregados ao serviço da Finlândia, da UE e da OTAN, e suas famílias”. O governo da França reiterou o pedido para que seus cidadãos deixem o país e a Suécia disse que irá evacuar alguns funcionários de sua embaixada.
Apesar de não ter especificado a situação de sua embaixada até o momento, o Reino Unido afirmou que uma operação militar foi estabelecida para auxiliar na retirada de cidadãos britânicos do Afeganistão. O governo espanhol também anunciou o retornou de funcionários de sua embaixada e de civis, além de “estar trabalhando na possibilidade de trazer tradutores e outras pessoas que trabalham com as forças espanholas”, segundo disse uma fonte do Ministério da Defesa. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.
