Nesse turbilhão da crise aberta pela revelação das mensagens de Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aliado de primeira hora do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), mudou de comportamento.
Em vez de fazer reuniões no Palácio do Planalto para tratar dos primeiros desdobramentos do caso, no início da semana retrasada, levou os encontros para o Palácio da Alvorada. Quer evitar vazamentos.
O presidente conversou com diferentes ministros do Supremo para entender a gravidade da crise e as opções de Moraes, diante das revelações do banqueiro.
Segundo relatos do palácio, Lula ouviu reclamações dos magistrados do STF sobre a postura do governo em relação as investigações relatadas pelo ministro André Mendonça. Na visão dos interlocutores de Lula, a Polícia Federal deveria ter se recusado a analisar o material de Vorcaro que levou à identificação de Moraes.
Lula, depois de muito ouvir, foi aconselhado por aliados do PT e assessores de campanha, a adotar um discurso de defesa das investigações, chegando a dizer que “ninguém está acima da lei”, sem citar Moraes.
O presidente voltou a abordar o tema ao lado de Edson Fachin, o chefe do STF, desta vez num evento no Planalto, transmitido pela internet. No encontro, a defesa da continuidade das apurações foi ainda mais forte.
Essa postura, segundo aliados, se deu por receio do petista de perder eleitores, diante do desgaste provocado pelas revelações de corrupção.
Discurso
Já nesse domingo (6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou , em discurso em alusão ao Dia da Independência, veiculado na véspera do feriado de Sete de Setembro, que o Brasil “é um país soberano” e que “não será colônia”. Sem citar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o petista fez críticas ao tarifaço imposto pelo governo americano.
“Defendemos o livre comércio. Nenhum país estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar, e para quem podemos vender. Somos um país soberano, e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém”, disse o presidente em cadeia nacional de rádio e televisão.
Por decisão do governo Trump, parte dos produtos brasileiros foi taxada em 37,5%. No final de julho, o governo dos EUA adotou duas novas tarifas adicionais sobre as exportações brasileiras. A primeira sobretaxa, de 25%, foi imposta sob a acusação de supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil. Já a taxação de 12,5% foi aplicada por suposta falha do país em barrar importações de produtos fabricados com trabalho forçado.
No pronunciamento, o petista afirmou que o Brasil não é nem será “colônia de nenhuma outra nação”.
“Precisamos nos manter fortes e altivos, sem baixar a cabeça, para não deixarmos que o Brasil se transforme, novamente, em colônia de outras potências estrangeiras. Não somos, e não seremos colônia de ninguém”, afirmou o presidente. As informações são da revista Veja e do jornal O Globo.
