O sonho da casa própria em terras americanas está mais difícil. Com a disparada de quase 50% na cotação do dólar em 2015, consultorias especializadas em vender imóveis para brasileiros de classe média alta nos Estados Unidos viram a movimentação de clientes despencar até 70% nos últimos meses. Já os clientes que compraram imóvel no passado, financiado em dólar, buscam alternativas para conseguir pagar a prestação.
O magistrado aposentado Newton Azevedo se mudou com a mulher para Winter Garden, na Flórida, em 2013, quando a cotação do dólar estava em torno de 2,20 reais. Ele optou por comprar uma casa em um condomínio por 304 mil dólares. Deu 20% de entrada e financiou o restante em 30 anos, com prestação de 1.470 dólares, já incluso seguro e impostos. A disparada do dólar neste ano, porém, assustou o aposentado. Para honrar as prestações, optou por reduzir os gastos da casa e passou a dar consultoria a escritórios de advocacia na região de Orlando, o que lhe garante uma pequena renda em dólar.
“Comecei a fazer trabalhos de consultoria e está entrando um pouco de dinheiro. O que compensa aqui é que o custo de vida é inferior ao de São Paulo”, disse.
Demanda em baixa.
Mas nem todos conseguem contornar a situação. Cássio Faccin, sócio da Faccin Investments, explica que os negócios com imóveis de 200 mil dólares a 700 mil dólares, os mais procurados pela classe média brasileira, caíram 70% nos últimos três meses. Além disso, afirmou que os clientes que compraram imóvel na planta há dois anos estão tendo que fazer um replanejamento financeiro para ficar com o imóvel – e, em casos mais extremos, desistir da compra, perdendo o valor da entrada. “Tem brasileiro que opta por entregar o imóvel porque não tem como assumir a prestação em dólar, que ficou mais alta que o planejado. Outros optam por financiamento para encontrar tempo para alugar ou vender.”
É o caso de um dos clientes de Faccin, um empresário brasileiro que preferiu não se identificar. Ele comprou um apartamento em um condomínio de luxo em Aventura, perto de Miami, há dois anos. Do valor de 695 mil dólares, deu entrada de 50%, mas teria que quitar o restante na hora de pegar as chaves. Embora tivesse os recursos no Brasil, não viu vantagem em fazer uma remessa nesse momento, em que a cotação do dólar está em torno de 4 reais. A saída foi optar por um financiamento ao custo de 3,75% ao ano e deixar os recursos no Brasil aplicados na renda fixa, que pagam mais de 14% ao ano.
“Se o dólar começar a cair, posso usar as reservas que tenho para quitar o financiamento antecipado”, explicou.
A procura por financiamento cresce como forma de driblar o aumento do saldo devedor no momento de pegar as chaves. “Houve uma redução forte do cliente que compra imóvel usado e tem crescido a procura por parte daqueles que compraram um na planta”, afirmou Antonio Cassio Segura, presidente do BB Americas. (AG)
