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Com fama de “explosivo”, o presidenciável Ciro Gomes acredita que para comandar o País é preciso temperamento forte. Ele disse que está aberto ao diálogo mas com “limite de transigência”

Reportagem sugeriu o envolvimento do pedetista em corrupção. (Foto: EBC)

Isolado pelo PT na negociação de alianças partidárias, o candidato do PDT à Presidência da República, Ciro Gomes, diz rejeitar o papel de vítima. “Na política não cabe mimimi, choradeira. Guerra é guerra”, afirmou em entrevista à imprensa.

Ciro atacou a cúpula do PT, que está “pouco se lixando para a sorte da nação”, mas defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da condenação no processo do triplex no Guarujá (SP). Para ele, a sentença do juiz federal Sérgio Moro é “inconsistente”.

Embora esteja em visível esforço para combater a fama de pavio curto, o pedetista disse que candidato a presidente não tem que mostrar temperamento de “ameba”. E provocou seu concorrente do PSDB, Geraldo Alckmin: “Se não, vai ser chamado de picolé-de-chuchu”.

“A cúpula do PT é simplesmente desastrada, não tem escrúpulo de nenhuma natureza, está pouco se lixando para a sorte da nação brasileira. Porém, isso não transforma o PT em meu inimigo, porque a cúpula do PT é uma coisa. Por exemplo, eu apoio o PT no Piauí, com o Wellington Dias”, ressaltou.

Se essa parece uma estratégia para tentar se descolar do desgaste do PT, ele explica: “Você está preconceituosamente querendo me olhar com esse filtro de que eu sou um maquinador. O Lula aumentou o salário-mínimo, quando eu fui ministro dele, com muita honra. Expandiu o crédito, criou uma rede de proteção social que baniu a fome, que está de volta com o Temer”.

Por outro lado, ele criticou Lula por ter supostamente “loteado” a Petrobras: “O Palocci é réu confesso, o Guido Mantega está envolvido com dinheiro em conta em paraíso fiscal. E eu faço o quê? Eu não sou petista, o petismo é que esquece isso, bota para debaixo do tapete, inventa uma conspiração”.

Ele definiu, ainda, a sentença do Moro como “injusta, porque é inconsistente”. Ciro garantiu que não conhece nenhum julgamento em que alguém tenha sido condenado “por conjunto indiciário, como o Lula foi, pois no Brasil se exige prova”.

Haddad e Manuela

“A mim me surpreende como o Fernando Haddad [PT] e a Manuela D’Ávila [PCdoB] se prestam a esse tipo de serviço. Eu falo isso porque eu mesmo fui pressionadíssimo a fazer esse papelão de ser vice do Lula”, prosseguiu com a sua metralhadora giratória verbal.

“Nasce daí um presidente pequenininho, que parece que vai precisar ir para Curitiba consultar como fazer as confusões e as complexas questões nacionais”, prosseguiu. Questionado se foi vítima de um acordo do PT com o PSB que o deixou isolado, ele nega:

“Eu não tenho esse lugar de vítima, sou um velho lutador. Eu tenho escrúpulo, você não vai encontrar uma rasteira minha dessa natureza. Na política não cabe mimimi. Guerra é guerra. Eles me escolheram para a guerra nessa fase, eu estou na guerra. Não sou a Marina Silva, que com todas as suas extraordinárias virtudes, aceitou ser empurrada para a direita. Eu não. Vou buscar a liderança do campo progressista de verdade do Brasil”.

Reforma

“Eu quero reformar o Brasil, para isso eu preciso ter capacidade de diálogo com diferentes forças”, salienta. “Já disse para eles na conversa que o meu programa está aberto para ser discutido com vocês”. Aí vinha reforma trabalhista. Não volto atrás.”

Sobre a revogação do teto de gastos, ele diz que “não volta atrás”: “Isso estabelece uma relação para o futuro em que eu lidero, se for o eleito pelo povo, para não ser o que a Dilma foi e o Lula, em certo aspecto, também, testas-de-ferro desses pilantras que infernizam a vida brasileira. Não deu certo a aliança com o ‘Centrão’, mas eu mostrei que tenho capacidade de dialogar e tenho limite de transigência.

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