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Com foco em Itaipu, Lula recebe o presidente eleito do Paraguai em Brasília

Presidentes se reuniram em audiência no Palácio da Alvorada. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu no Palácio da Alvorada, última na sexta-feira (28), o presidente eleito do Paraguai, Santiago Peña. Foi o segundo encontro entre ambos desde a eleição de Peña, reiterando a relevância das relações bilaterais entre os dois países. Um dos temas abordados foi a gestão da Itaipu Binacional.

Depois de 50 anos do acordo que viabilizou a construção de Itaipu Binacional, Brasil e Paraguai voltaram à mesa para renegociar os termos financeiros da hidrelétrica na qual cada país tem direito a 50% da energia gerada.

Essa revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, que dispõe sobre as bases financeiras e de prestação dos serviços de eletricidade do empreendimento, está prevista no contrato inicial entre os dois países. O assunto foi um dos temas principais da conversa entre Lula e Santiago Peña, que assume a presidência do Paraguai no dia 15 de agosto.

Os dois mandatários se encontraram no Palácio da Alvorada, na presença também do diretor-geral brasileiro da geradora de energia, Enio Verri, e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

Em visita à hidrelétrica, em março, para a posse de Verri, o presidente Lula destacou o papel social da companhia e sinalizou que a repactuação do Tratado de Itaipu deve levar em conta a realidade dos dois países e possibilitar o desenvolvimento de ambos.

Após o encontro no Alvorada, o presidente eleito paraguaio foi na mesma linha e disse que Itaipu tem que ser geradora de energia e de desenvolvimento tanto para o Brasil quanto para o Paraguai.

“Paraguaios e brasileiros sonharam grande 50 anos atrás. Temos que sonhar grande de novo, e meu sonho é que no Paraguai e no Brasil não tenha gente com fome, sem estudo e sem trabalho. Temos que criar as condições para que haja saúde, educação e emprego e isso requer investimento”, afirmou, defendendo que as novas bases valham por mais 50 anos.

Peña disse que, na mesa de negociações, o objetivo é construir uma visão comum e que o projeto de integração tem que olhar para o futuro de maneira mais ambiciosa. “O Paraguai não está buscando uma política rentista, mas uma política de desenvolvimento, uma política econômica que gere emprego”.

O paraguaio destacou a importância do Brasil como principal parceiro comercial e reconheceu o papel do presidente Lula nas negociações para a integração dos países sul-americanos com o mundo. “Tenho admiração pelo presidente Lula, acho que hoje é o líder global mais importante e, para nós, é nosso principal parceiro, além das relações com Itaipu”.

Itaipu Binacional é líder mundial na geração de energia limpa e renovável, com 20 unidades geradoras e 14 gigawatts de potência instalada. Em 2022, com 69,8 milhões de megawatts de energia gerada, a usina abasteceu 8,6% do mercado de energia elétrica brasileiro e 86,3% do paraguaio.

Agendas comuns

Lula e Peña tiveram debateram sobre as agendas comuns que, nos próximos anos, vão aproximar os países. “Gostei muito da reunião”, manifestou Lula. “Falamos do acordo da União Europeia e Mercosul e a necessidade de nos engajarmos para fazer as coisas rápido”.

“Temos discutido temas de cooperação na área de segurança, cooperação na área econômica, passos fronteiriços, melhorar a cooperação em áreas de investimento na região, e promover mais intercâmbio comercial entre o Paraguai e o Brasil”, ressaltou o presidente paraguaio.

Peña disse perceber a relação bilateral com muito otimismo, “porque sinto que paraguaios e brasileiros sonharam grande 50 anos atrás”. “Hoje temos que sonhar novamente grande. E meu sonho é que no Paraguai e no Brasil não tem que ficar gente com fome, não que haver gente que não estuda, não tem que haver gente que não tem trabalho. Temos que criar condições para que haja saúde, educação, que haja emprego, e isso requer investimento. Então creio que a visão de gerar os recursos é a melhor estratégia para os nossos países”, sustentou.

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