Uma semana após a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do PT, reuniu-se com outros seis ex-ministros para definição de uma estratégia de ação do partido para este ano de eleições, inclusive a presidencial.
A medida tem por objetivo proporcionar maior densidade à cúpula da legenda, composta por integrantes da chamada “máquina partidária”. Muitos dirigentes que integram a executiva petista não estavam na reunião, realizada na sede do partido, em São Paulo.
Além dela mesma, a parlamentar paranaense – que exerceu o cargo de chefe da Casa Civil no governo da então presidenta Dilma Rousseff (2011-2016) – convocou os ex-ministros Celso Amorim, Luiz Marinho, Gilberto Carvalho, Luiz Dulci, Alexandre Padilha e Fernando Haddad (apontado como um dos “planos B” da sigla caso o ex-presidente não possa concorrer a um terceiro mandato). O ex-ministro e ex-governador da Bahia Jaques Wagner também foi convidado, mas não pode comparecer.
De acordo com fontes ligadas ao PT, a criação desse conselho informal foi proposta pelo deputado federal Paulo Teixeira (SP) e acolhida por Gleisi. A senadora decidiu escalar também o ex-deputado José Genoino, que foi presidente do PT.
O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vagner Freitas, e o coordenador do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) João Paulo Rodrigues participaram do encontro.
Quem também esteve presente à reunião foi o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto. Ele confirmou à imprensa a criação de um grupo de trabalho para ajudar Gleisi. Já um outro participantes admitiu que, entre vários membros da cúpula petista, há um sentimento de “orfandade” após prisão de Lula.
Alternativas
Mesmo com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atrás das grades, o PT ainda estaria resistindo (ao menos publicamente) em trabalhar com a hipótese de um plano B para a corrida presidencial de 2018. Por enquanto, os esforços do partido seguem concentrados em demonstrar apoio a Lula e pressionar pela sua saída da cadeia.
Antes da prisão, mesmo com seus problemas na Justiça, o petista era o candidato com o maior apoio entre o eleitorado. Segundo uma pesquisa de do Instituto Datafolha, em janeiro ele ainda mantinha 36% das intenções de voto e venceria qualquer adversário nos cenários de segundo turno, mesmo já estando condenado em segunda instância.
Não parece fácil para o PT desistir de um candidato tão competitivo e considerar alternativas, mesmo que a candidatura esteja seriamente ameaçada pela Lei da Ficha Limpa. São poucos os petistas que ousam discutir publicamente quem, no partido, poderia substituir Lula ou se a sigla deveria apoiar um candidato de outra legenda.
A influência avassaladora de Lula na sigla, que nos últimos anos se submeteu a iniciativas pessoais do ex-presidente de impôr os candidatos da sua preferência, também desestimula que outros filiados tomem a iniciativa e se afastem por conta do chamado “Lulismo”. A construção de outra opção meses antes das eleições parece depender de um gesto do próprio Lula.
Abalado nos últimos dez anos por seguidas denúncias de corrupção, o PT viu constantemente seus quadros mais fortes perderem influência. Sem a máquina pública e não contando mais com doações generosas de empresas, também deve enfrentar dificuldades em promover candidatos sem estatura nacional.
Dentro da sigla, algumas alas apontam que o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad ou o ex-governador Jaques Wagner são os nomes mais viáveis para substituir Lula. Só que Wagner, apesar de ser conhecido no Nordeste, poderia assombrar a campanha com mais suspeitas de corrupção. Ele foi recentemente envolvido na Lava Jato. A Polícia Federal suspeita que ele recebeu R$ 82 milhões de empreiteiras. Além disso, o próprio Wagner não parece interessado em assumir a vaga.
Haddad, por sua vez, até agora não virou um alvo da Operação Lava-Jato. No entanto, ele é pouco conhecido no Norte e Nordeste do País. A sua própria vitória em São Paulo em 2012 também só vingou com o empurrão pessoal de Lula e a injeção de dezenas de milhões de reais.
Por outro lado, desistir do protagonismo na eleição presidencial seria algo inédito na história do PT. Mas em seu derradeiro discurso antes da prisão, Lula abriu espaço no palanque para Manuela D’ávila (PCdoB) e Guilherme Boulos (PSOL), também pré-candidatos à Presidência. São nomes que despertam simpatia em nichos da esquerda, mas que por enquanto não decolaram nas pesquisas.
Uma possível alternativa de apoio para o PT seria o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), que pontua 7% nas pesquisas e seria o principal beneficiado pela saída do petista, passando para até 13%. O governador da Bahia, Rui Costa (PT), levantou em março essa possibilidade.
