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Com Lula no páreo, Bolsonaro testa a fidelidade de deputados do Nordeste

A entidade reivindica que o Executivo Federal “assuma de uma vez por todas o papel constitucional de coordenação nacional no enfrentamento da Covid-19 no país, promovendo o alinhamento entre as esferas de governo e de poder”. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Dirigentes partidários aliados a Jair Bolsonaro avaliam que a anulação das condenações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser encarada como uma boa notícia. Com o fortalecimento da polarização entre os dois em 2022, esperam vantagem para o atual titular do Palácio do Planalto. Mas o sentimento que predomina no “baixo clero” do Congresso, especialmente nas bancadas do Nordeste, é diferente.

Deputados ouvidos pelo jornal O Globo temem que ficar contra Lula seja um suicídio eleitoral no ano que vem. Mesmo se o petista não conseguir se eleger presidente, deputados preveem que seu apoio será definidor nas eleições para o Congresso Nacional, como um relevante cabo eleitoral.

O deputado Hildo Rocha (MDB-MA) disse que teve acesso a pesquisas recentes em que Lula ultrapassa 70% de preferência do eleitorado no Maranhão. Para ele, a partir de julho do ano que vem, Bolsonaro terá muito menos apelo eleitoral para os deputados do que Lula, que deve articular alianças com prefeitos e candidatos nos estados. “Sendo candidato, Lula consegue neutralizar alguns deputados, sem dúvida nenhuma, no Maranhão. Inclusive aliados do Bolsonaro.”

O discurso de Lula na quarta-feira, em que fez duras críticas ao governo, foi interpretado como impactante até entre líderes do Centrão. O senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, disse ter ficado “surpreendido”. Para ele, Lula está “em forma”.

A expectativa dos deputados das bancadas do Nordeste é que o Centrão siga na base do governo, demonstrando fidelidade em votações. À medida que a eleição se aproximar, porém, colar a imagem à de Bolsonaro pode se tornar cada vez menos desejável para quem quer se reeleger.

As composições políticas com o PT voltam a ganhar força, dizem os parlamentares, e o próprio partido pode crescer. A volta de Lula ao páreo eleitoral deve aumentar a pressão para que Bolsonaro crie um programa para substituir o Bolsa Família, medida que pode aumentar sua popularidade em estados do Nordeste, onde Lula ainda tem força relevante.

“Criando um programa de transferência de renda para chamar de seu, Bolsonaro vai disputar de igual para igual”. avalia o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE).

No Ceará, a avaliação é que Camilo Santana, governador petista, não conseguirá ficar “em cima do muro” entre o PT e Ciro Gomes, como fez na eleição de 2018. Deputados bolsonaristas devem ficar neutros no primeiro turno para não desagradar o clã Ferreira Gomes, que tem força no estado, e também não se desgastarem com a associação a Bolsonaro.

Ressoaram entre os cearenses as críticas feitas por Lula a Ciro Gomes em seu discurso. Disse que o pedetista se enxerga como “professor de Deus”. “Não é possível alguém passar a ideia de que é tão inteligente, de que lê tanto, e ter as atitudes ignorantes que ele tem”, afirmou. No estado, a polarização deve ser entre Ciro e Lula em 2022.

O deputado Pedro Cunha Lima (PSDB-PB) diz que, na Paraíba, a decisão que tornou Lula elegível diminui muito a chance de terceira via:

“Eu conversei com alguns prefeitos do sertão, e nesses municípios não tem nem graça. Lula vai tomar conta de tudo. Ele é muito forte, e sobretudo com esse cenário do fim do auxílio, Lula traz muita força. E me deixou até atordoado, porque pra quem quer construir uma terceira via, praticamente não tem mais espaço”, comenta o deputado.

Para ele, a única esperança do centro é se unir em torno de um único nome, mostrando um projeto político unificado. Ele integra uma ala do PSDB que defende que não necessariamente seja lançado um tucano à Presidência, ainda que defenda o nome de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul.

Embora uma aliança com siglas de centro-direita não esteja no horizonte, petistas esperam que em 2022 possam angariar apoio de lideranças regionais no Nordeste. Os governadores de Alagoas, Renan Filho (MDB), e do Pará, Helder Barbalho (MDB), são citados como nomes com quem o PT tem bom diálogo. As informações são do jornal O Globo.

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