O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) decidiu se refugiar na Espanha, segundo informações da colunista Andreza Matais, do jornal O Estado de S. Paulo. Ele já havia anunciado que irá renunciar ao novo mandato, que se inicia em fevereiro, e diz temer por sua vida. O parlamentar faz oposição ao governo de Jair Bolsonaro.
A Espanha foi escolhida devido ao idioma. O deputado quer lecionar em universidades locais. Na carta deixada para colegas de partido, Jean Wyllys disse que formou a convicção de que precisava ir embora após as revelações sobre envolvimento de milicianos do Rio de Janeiro, cidade onde mora, com a morte da vereadora Marielle Franco.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública lamentou, em nota divulgada neste sábado (26), a decisão de Jean Wyllys de deixar o país devido às ameaças que têm sofrido. O ministério rebateu a afirmação do parlamentar de que há omissão das autoridades em relação a essas ameaças.
Segundo o Ministério da Justiça, a Polícia Federal abriu inquéritos, ao longo de 2017 e 2018, “para apurar ofensas e ameaças contra o deputado”. As investigações estão em andamento, mas a Polícia Federal identificou um dos autores: Marcelo Valle Silveira Mello, preso em 2018.
Conforme a nota, Mello integra o grupo autointitulado “Homens Sanctos” e usava a identidade de Emerson Setim para fazer ameaças ao deputado. O Ministério da Justiça e Segurança Pública “repudia a conduta dos que se servem do anonimato da internet para covardemente ameaçar qualquer pessoa e em especial por preconceitos odiosos”.
Vários artistas usaram as redes sociais para declarar apoio ao deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), de 44 anos, que, apesar de ter sido reeleito para o seu terceiro mandato, decidiu não tomar posse no dia 1º de fevereiro após ter recebido ameaças de morte.
“Guerreiro. Amigo de tantas lutas, tantas dores, tantas vitórias. Me representa. A luta continua. É tudo tão inaceitável ser ameaçado de morte, sofrer retaliações, perder lugar de fala. Avante”, publicou a cantora Maria Gadú, de 32, em sua conta no Instagram com uma foto junto com o político e relembrou os anos de amizade.
Em entrevista exclusiva à Folha de S.Paulo, o parlamentar, que é homossexual assumido e está no momento no exterior, disse que não pretende voltar ao País e que quer seguir a carreira acadêmica. Desde o assassinato da vereadora do Rio Marielle Franco (PSOL), em março do ano passado, ele já vive sob escolta policial.
“Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário”, afirmou Wyllys. “O presidente que sempre me difamou, que sempre me insultou de maneira aberta, que sempre utilizou de homofobia contra mim. Esse ambiente não é seguro para mim”, acrescenta.
Paulo Betti, Daniela Mercury, Camila Pitanga e vários outros artistas também se manifestaram em favor do parlamentar. “Recebi a notícia de seu autoexílio com espanto e profundo respeito. Muito amor a você, a sua caminhada. Mão estendida aqui sempre”, afirmou Pitanga.
Paulo Betti também comentou a comemoração de Bolsonaro nas redes sociais: “Muito grave o presidente comemorar o autoexílio de um deputado federal eleito porque está sendo ameaçado de morte, existe comissão de ética para esse tipo de comportamento? Jean Wyllys tem minha total solidariedade!”.
