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Com necrotério lotado na província italiana de Bergamo, caminhões transportam caixões para crematórios de outras regiões

Uma longa fileira de caminhões carregando caixões de vítimas do coronavírus em Bergamo. (Foto: Reprodução)

Uma imagem impressionante vinda da Itália mostra a seriedade da ameaça do coronavírus: uma longa coluna de caminhões militares carregados com caixões que passou por Borgo Pallazzo, distrito de Bergamo, na noite de quarta-feira (18).

Devido ao alto número de mortos, o necrotério na província de Bergamo, a mais afetada na Itália, não consegue mais acomodar o volume de caixões. O único crematório local está ativo 24 horas por dia há mais uma semana, mas, em sua máxima capacidade, consegue incinerar cerca de 25 corpos por dia, e também não consegue dar conta da demanda.

Nesta semana, o prefeito da cidade, Giorgio Gori, emitiu uma ordenança que fechou o cemitério local esta semana pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial.

Desde terça-feira (17), a solução para lidar com a emergência tem sido o uso de veículos militares. As vítimas de coronavírus são transportadas para crematórios de outras regiões onde existem municípios que se disponibilizaram para aceitá-los.

Na quarta, de acordo com dados oficiais, 93 foram mortos: mas, segundo o prefeito de Bergamo, Giorgio Gori, a contagem  é muito mais alta, porque muitas pessoas morreram com sintomas compatíveis com as do Covid-19, mas antes que testes fossem feitos sobre eles.

Não se sabe quantos caixões os caminhões transportavam, mas a imprensa local falou em cerca de 60.

Agências funerárias não também conseguiam mais gerenciar o serviço: algumas estão fechadas porque os funcionários estão doentes. O município começou a prestar serviço para atender as vítimas.

Com a população mais velha da Europa, a Itália, epicentro da pandemia no continente, a Itália registrou, nesta quarta-feira, 475 mortes em 24 horas, o número mais alto em um país até agora. O total de óbitos na Itália é de 2.978.

Bergamo também suspendeu o atendimento religioso aos infectados após perder 12 padres de 1º de março até quarta-feira.

Medidas

O país decretou em interdição antes de outros da Europa, mas, como os casos continuam aumentando, o governo está cogitando medidas mais duras que restringiriam ainda mais a circulação exterior já limitada.

Nesta quinta-feira (19), o jornal “Corriere della Sera” citou o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, segundo o qual o governo ampliará o prazo das atuais medidas de emergência que fecharam escolas e muitos negócios. As medidas em vigor obrigam a maioria das lojas a permanecerem fechadas ao menos até 25 de março e as escolas até 3 de abril. Conte não disse por quanto tempo as medidas serão prorrogadas.

Autoridades dizem que medidas mais rígidas podem ser necessárias porque pessoas demais estão desrespeitando a ordem de ficar em casa para tudo que não seja essencial e milhares continuam a adoecer.

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