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Com nível do Guaíba em elevação, Porto Alegre está sob nova ameaça de alagamento na região das ilhas e Zona Sul

Risco é ampliado pela vazão dos afluentes Jacuí e Taquari. (Foto: Andreza Gomes/Arquivo PMPA)

Causada pelas chuvas intensas, uma onda de vazão dos rios Jacuí e Taquari deve acelerar a elevação do Guaíba até esta quinta-feira (1º), mantendo seu nível alto por vários dias. Especialistas descartam em Porto Alegre a hipótese de uma enchente como a de 2024, mas as regiões das ilhas e Zona Sul da cidade voltam a estar sob risco de alagamentos.

Na noite dessa quarta-feira (30), o nível do Guaíba na régua do Cais Central da Avenida Mauá (Centro Histórico) estava em 2 metros (25 centímetros acima do verificado 24 horas antes). A empresa Metsul Metoorologia prevê que a atual cheia será maior que a da semana passada (com pico de 2,17 metros no dia 23): “Há tendência de o Guaíba se manter alto até o começo da próxima semana, especialmente pela vazão do rio Jacuí”.

O rio Taquari atingiu o pico de cheia em Lajeado na madrugada dessa quarta-feira, com 23,3 metros, logo abaixo do pico da semana passada (24,5 metros). Já o Caí alcançou o pico de 11,1 metros, abaixo dos 14,3 metros da última semana.

Mas o Jacuí, maior contribuinte, tem uma subida de nível maior que a da semana passada: alcançou pico no começo da bacia de 9,03 metros em Dona Francisca, enquanto o máximo na semana passada foi de 6,3 metros. Além de ter chovido muito na parte inicial da bacia, volumes de chuva de até 250 milímetros foram observados na parte intermediária do curso do Jacuí no Centro do Estado.

Prognóstico complexo

Em análise no site metsul.com, o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall explica que prever o nível do Guaíba é algo complexo e difícil, devido a uma série de variáveis diferentes das utilizadas nos prognósticos de nível de apenas um rio:

“Há vazão simultânea de múltiplos rios e com os picos de cheia chegando em momentos distintos pelas dimensões das bacias. O fato de ser a vazão de muitos rios com os picos de cheia de cada um chegando em momentos diferentes pelo percurso de cada bacia, aumenta a complexidade e a dificuldade de se prever o nível do Guaíba”.

Ele acrescenta que, no caso atual, alguns rios contribuintes já atingiram os seus picos de cheia e outros ainda não, antes de desaguarem no Guaíba. Há também a variável do vento, que não costuma interferir nos rios que desaguam no Guaíba, mas tem enorme impacto no manancial em Porto Alegre:

“Guaíba está na ponta Norte da Lagoa dos Patos e sofre os efeitos do vento que sopra na lagoa, seja pela direção ou intensidade. Se venta forte do quadrante sul na Lagoa, há represamento do escoamento e o Guaíba sobe ainda mais. No passado, durante enchentes, houve picos de elevação de até 70 centímetros com vento sul intenso em ciclones e/ou massas de ar frio intensas”.

(Marcello Campos)

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