Ícone do site Jornal O Sul

Com quase 20% de espaços corporativos vagos, Nova York tenta recuperar movimento da economia que gira em torno dos edifícios

O Google anunciou na semana passada que vai gastar US$ 2,1 bilhões para comprar um enorme edifício de escritórios na orla do Rio Hudson, em Manhattan. (Foto: Divulgação)

O Google anunciou na semana passada que vai gastar US$ 2,1 bilhões para comprar um enorme edifício de escritórios na orla do Rio Hudson, em Manhattan, pagando um dos maiores preços de compra dos últimos anos por um prédio de escritórios nos EUA e oferecendo uma pitada de otimismo ao setor imobiliário de Nova York, atingido com força pela pandemia e pela mudança para o trabalho remoto. Quase 20% dos espaços corporativos estão vagos na cidade.

Embora Manhattan tenha uma abundância de espaços para escritórios para locação, as quatro empresas que formam as chamadas “gigantes da tecnologia – Amazon, Apple, Google e Facebook – têm apostado em uma versão otimista sobre o futuro de Nova York.

O Google já alugava, mas ainda não ocupava, um imóvel de aproximadamente 120 mil m², conhecido como Terminal St. John por ser um antigo terminal de carga. A empresa tem 12 mil funcionários na cidade – seu maior escritório satélite fora da sede na Califórnia – e disse que planeja contratar mais 2 mil nos próximos anos.

“A energia, a criatividade e o talento de renome mundial de Nova York são o que nos mantém enraizados aqui e a razão de estarmos aumentando nosso compromisso com os planos de compra do Terminal St. John”, disse Ruth Porat, diretora financeira do Google e de sua empresa-mãe, a Alphabet.

De forma conjunta, as quatro gigantes empregam mais de 20 mil pessoas em Manhattan. Mas seus funcionários não devem voltar a trabalhar neles cinco dias por semana tão cedo. Muitas empresas de tecnologia disseram que permitirão que os empregados trabalhem remotamente em um esquema híbrido mesmo depois do fim da pandemia. O Google adiou seus planos de retorno aos escritórios para o início de 2022 devido à variante Delta.

A velocidade com que a economia se recupera na cidade de Nova York pode depender da área de edifícios de escritórios, que antes da pandemia atraía 1 milhão de trabalhadores todos os dias a Manhattan, cujos gastos com coisas variadas, desde café antes do trabalho até almoços de negócios e shows da Broadway após o expediente, mantinham milhares de empresas. A ausência dessas pessoas levou lojas e restaurantes à falência durante a pandemia.

Como consequência do home office, grandes empregadores como a Condé Nast e o Jpmorgan Chase abriram mão de parte de seus escritórios, deixando quase 19% dos espaços de Manhattan disponíveis para aluguel, o dobro da média da última década, de acordo com a consultoria Newmark.

Cerca de 28% dos funcionários de escritórios de Nova York voltaram aos locais de trabalho na semana passada – mais do que o dobro da média de poucos meses atrás, conforme a Kastle Systems, empresa que monitora crachás em edifícios. A média americana é de 33,6%, segundo a Kastle.

De qualquer forma, a aposta de especialistas é de que o espaço corporativo ocupado por empresas vai diminuir. Por isso, o anúncio do Google foi muito bem recebido pelas autoridades públicas. O prefeito Bill de Blasio chamou o acordo de “um investimento histórico na cidade de Nova York”.

Quando o prédio for inaugurado, em 2023, o Google terá quase 290 mil m² de escritórios na cidade, tornando-se um dos maiores locatários da cidade. O gigante da tecnologia chegou a Nova York em 2000, com um único funcionário que trabalhava em um Starbucks. A empresa selou seu compromisso com a cidade em 2010, ao comprar um prédio de 15 andares por US$ 1,8 bilhão, no bairro de Chelsea.

Na última década, o Google aumentou rapidamente a mão de obra em Manhattan, contratando jovens engenheiros de universidades da região, atraindo profissionais do setor da tecnologia que não querem viver no Vale do Silício e expandindo seus departamentos de marketing e vendas. A empresa contratou 5 mil funcionários em Nova York desde o fim de 2018. As informações são do jornal The New York Times.

Sair da versão mobile