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Com sobra de vacinas, Estados Unidos autorizaram a imunização na faixa de 12 a 15 anos: vacinação de adolescentes divide pais e famílias

Com 48,2% da população tendo recebido ao menos uma dose, os EUA são o segundo país a aplicar vacinas anti-Covid em menores de 16 anos. (Foto: ENC)

A baiana Olívia Leal, que mora nos Estados Unidos há quase 20 anos, recebeu com alívio a notícia de que a FDA, a agência de vigilância sanitária americana, autorizou o uso da vacina contra a Covid-19 da Pfizer/BioNTech em adolescentes de 12 a 15 anos. Ela pretende vacinar dois dos três filhos assim que eles retornarem do Brasil, onde passam uma temporada com parentes. As autoridades de Nova York, onde mora, iniciaram a aplicação na nova faixa etária no dia 13.

O mais velho, Gabriel, de 16 anos, já poderia ter tomado o imunizante, que tinha uso emergencial aprovado para qualquer pessoa a partir da idade dele. O irmão do meio, Victor, de 12 anos, é o mais novo integrante da família apto a se vacinar. A exceção será o caçula, Antony, de 7.

“Vacina é pra prevenir. Eles já tomaram todas as vacinas possíveis na vida. E todo ano eles tomam vacina contra a gripe”, disse Leal.

Os EUA, porém, ainda têm o desafio de convencer os responsáveis que não pensam como Leal. Em pesquisa da Kaiser Family Foundation feita em abril com pais de crianças de 12 a 15 anos, apenas 30% dizem que vão vacinar seus filhos logo. Outros 26% querem esperar um pouco mais e ver como outras crianças vão reagir. Para 18%, a vacinação é cogitada apenas se a escola exigir. E 23% disseram que definitivamente não vão vacinar seus filhos.

Com 48,2% da população tendo recebido ao menos uma dose, os EUA são o segundo país a aplicar vacinas anti-Covid em menores de 16 anos. O Canadá havia sido o primeiro. A nova faixa etária incluída no programa de imunização americano soma 17 milhões de indivíduos, cerca de 5,3% da população.

A vacinação de adultos nos EUA desacelerou, e hoje a oferta de doses é maior que a procura. Ao mesmo tempo, aumenta a proporção de crianças com testagem positiva para o novo coronavírus. Atualmente, 24% das novas infecções ocorrem em menores (em alguns estados, isso significa pessoas abaixo de 21 anos de idade). No começo da pandemia, eram apenas 2%.

Olívia Leal ficou especialmente animada com os resultados dos testes clínicos da vacina da Pfizer em adolescentes, que apontaram 100% de eficácia na prevenção da doença. Em março de 2020, toda a família pegou Covid-19. Os filhos tiveram sintomas leves, mas a designer de unhas de 37 anos ainda se queixa de fadiga. O marido, Evandro Silveira, 52, acabava de sair de um tratamento de câncer e teve momentos difíceis.

Casos graves de Covid-19 em crianças são raros nos EUA. Embora mais de 3,9 milhões delas tenham testado positivo (cerca de 14% do total de infectados no país), menos de 2% precisaram ser hospitalizadas. E elas representam apenas 0,06% do total de óbitos – ou 308, num universo de mais de 500 mil mortes analisadas pela Academia Americana de Pediatria.

A principal aposta das autoridades é na interrupção da cadeia de transmissão. “A imunização nessa faixa etária é importante porque crianças com 12 anos ou mais ainda podem ser infectadas pela Covid-19 e transmiti-la a seus parentes”, disse ao jornal O Globo o Departamento de Saúde da cidade de Nova York.

Stella Pratta, brasiliense que vive em Nova York há 26 anos, pode confirmar que a pesquisa da Kayser Family Foundation se aproxima da realidade. A mãe de Enzo, de 16 anos (já vacinado), e de Jake, de 8, é a fundadora de dois grupos no Facebook que reúnem 10.500 mães brasileiras que vivem nos estados de Nova York, Nova Jersey e Connecticut. Pratta diz que os fóruns virtuais são pró-vacina. Mesmo assim, grande parcela das participantes afirma que não vai vacinar os filhos.

“Não é que elas estejam contra as vacinas, como o movimento antivacina propaga. Mas é que elas estão com medo”, diz Pratta.

Entre as fake news que já ajudou a combater, estão alegações inverídicas de que as vacinas implantariam um chip, que conteriam metais pesados ou provocariam alterações genéticas. Ela observa que o maior medo vem da sensação de que as vacinas foram feitas rápido demais.

“É desconsiderado que elas passam por testes rigorosos”, disse Pratta.

Desde que o governo americano decidiu, há 10 dias, afrouxar a exigência do uso de máscaras por pessoas totalmente imunizadas, ela relata que outra preocupação surgiu entre pais favoráveis à vacinação de crianças, fazendo-os torcer para que o procedimento seja liberado para todas as idades.

“Sem a barreira extra de proteção oferecida pelas máscaras, sentimos que nossos filhos ainda se encontram em uma posição vulnerável à infecção”, contou.

Muito em breve, a imunização nos EUA vai ser expandida para idades ainda mais baixas. A Pfizer pedirá, em setembro, autorização para uso emergencial em crianças entre 2 e 11 anos. Já a Moderna planeja divulgar os resultados dos ensaios clínicos da sua vacina em jovens de 12 a 17 anos nas próximas semanas. E em crianças de 6 meses a 12 anos no segundo semestre deste ano. Atualmente, os imunizantes da Moderna e da Johnson & Johnson (esta de dose única) só têm autorização de uso em pessoas com 18 anos ou mais. As informações são do jornal O Globo.

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