O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso está de malas prontas. Ele viajará de férias para o exterior nesta terça-feira e ficará três semanas fora do País, segundo informou a sua assessoria de imprensa. A respeito de um possível encontro com o presidente Michel Temer, foi informado que ele não tinha qualquer reunião agendada com o chefe do Executivo.
Devido à viagem, o líder tucano também não terá como se reunir com o peemedebista nos próximos dias. E, no período da tarde, Fernando Henrique ainda tinha uma consulta médica já marcada.
O convite de Temer a FHC tinha por objetivo discutir o atual cenário político, em meio à ameaça de desembarque do PSDB do governo.
Reunião da cúpula do PSDB
Às 19h30min desta segunda-feira, FHC participou de reunião do PSDB no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado de São Paulo. O evento debateu a posição do partido em relação ao Palácio do Planalto, se pela manutenção ou desembarque da base aliada do governo federal.
Participaram do encontro 16 lideranças do partido, incluindo o prefeito de São Paulo, João Doria, deputados e senadores tucanos, além do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anfitrião da reunião.
A reunião da cúpula ocorreu após Temer ter sido denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pelo crime de corrupção passiva. O encontro serviu para alinhar o discurso do partido sobre o governo Michel Temer, mas acabou por acirrar os ânimos dos tucanos.
No domingo, Alckmin havia afirmado que não há “nenhuma razão” para que o PSDB permaneça na base do governo de Temer após a definição do andamento das reformas trabalhista, previdenciária e política. Também no domingo, Doria afirmou que não defende a permanência dos tucanos no governo federal. Governador e prefeito participaram na manhã de domingo (9) de evento em comemoração à Revolução Constitucionalista de 1932.
A votação da reforma trabalhista no Senado está prevista para esta terça-feira (11). Já a reforma da Previdência chegou a ser votada em comissão especial, mas travou depois do agravamento da crise política.
Relembre o caso
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou ao STF (Supremo Tribunal Federal) no dia 26 de junho uma denúncia contra o presidente Michel Temer e ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) pelo crime de corrupção passiva.
Além da condenação, Janot pede a perda do mandato do chefe do Executivo, “por ter agido com violação de seus deveres para com o Estado e a sociedade”. É a primeira vez que um presidente da República é denunciado ao STF durante o exercício do mandato.
