O início do compartilhamento de voos da Azul e da Latam teria sido o primeiro passo para a fusão da empresas, que teve sondagem do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), mas no final emperrou numa questão de comando.
As afirmações que a Revista Veja publicou na sexta-feira objetivam dar um panorama da situação de tentativa de compra da Latam pela Azul, que tem sido um dos principais temas do mercado financeiro nas últimas semanas.
Segundo a publicação, a conversa entre as duas empresas foi levada até Brasília para passar pela sondagem do CADE, já que o negócio, caso fosse concretizado (ou seja, frutífero no futuro), resultaria numa concentração de mercado de 73%, algo que não se via desde a época da Varig. Entretanto, tudo isso parou num ponto: quem iria mandar na nova empresa.
A Veja diz que os chilenos da Latam queriam manter o controle da operação brasileira, mas a Azul também não queria abrir mão de comandar o próprio negócio, por mais que fosse parte de algo maior. Este impasse levou ao fim do acordo de codeshare, momento em que a Azul declarou estar olhando para uma consolidação de mercado, dando início aos rumores de uma tentativa de compra da Latam Brasil.
A Latam Brasil, por sua vez, negou que a divisão brasileira esteja à venda, embora esteja numa situação financeira mais delicada em meio a uma espécie de Recuperação Judicial (Chapter 11 da Lei Americana). Ainda segundo a revista, um dos credores, o Oaktree, demonstrou apoio a uma possível venda para a Azul, dado que este fundo de investimento detém 2% da empresa fundada por David Neeleman.
Outros pontos não levantados, mas que são motivos de questionamento no mercado, seriam a concentração dos slots em Congonhas, questão de equiparação salarial dos funcionários e filosofia, que são bem distintas hoje em dia.
A dúvida aqui é sobre quantos capítulos ainda terá essa novela.
A possível fusão entre Latam e Azul (AZUL4) mexeu com os mercados e tem potencial de criar uma gigante do setor aéreo. Os papéis da Azul dispararam 11,31%, a R$ 46,76, enquanto a Gol subiu 7,15%, a R$ 27,59 após a notícia. Pelos cálculos do Itaú BBA, a união das duas empresas pode gerar uma sinergia de R$ 5,60 a R$ 27,90 no preço das ações.
