A presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Damares Alves (Republicanos-DF), enviou um ofício ao Itamaraty pedindo que o governo viabilize a telemedicina brasileira às vítimas dos terremotos venezuelanos. O ofício foi enviado nesta sexta-feira (26) ao ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira. O pedido é para que médicos brasileiros façam o atendimento à distância sem qualquer custo ao governo ou às vítimas.
A proposta atende à demanda feita pela Associação Brasil pela Cura (Acura Brasil) que também pediu a liberação da validade local para as prescrições médicas emitidas, inclusive para medidas que exijam receita especial. O pedido prevê a operação na plataforma Doctor8 por dois mil especialistas voluntários – médicos e psicólogos.
A entidade diz que possui capacidade de mobilização e cita experiências anteriores como o atendimento a 12 mil famílias de durante a pandemia e assistência a seis mil famílias nas enchentes do Rio Grande do Sul. A comissão pediu que o Itamaraty preste informações sobre o andamento das tratativas e da real possibilidade da ajuda humanitária.
O número de mortos por conta dos terremotos na Venezuela subiu nesta sexta-feira (26) para 920 pessoas, segundo um balanço atualizado do governo venezuelano às 14h20 de Brasília. Um balanço divulgado mais cedo nesta sexta também afirma que há 3.360 feridos. Na noite de quarta-feira (24), dois terremotos em sequência atingiram a região norte do país, onde fica Caracas. Além das mortes, os tremores derrubaram prédios e deixaram um rastro de destruição na capital venezuelana e arredores. Os sismos foram os mais fortes no país em mais de 100 anos.
O novo balanço foi divulgado pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, e é provisório — a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) estimam que o número de vítimas possa ser bem maior, levando em conta a força do terremoto, a falta de estrutura e as áreas densamente populosas que foram atingidas.
O Escritório de Ajuda Humanitária da Organização das Nações Unidas (ONU) estima que o número de desaparecidos na tragédia seja de mais de 50 mil. Rodríguez, que é irmão da presidente Delcy Rodríguez, disse também que havia ainda 172 pessoas presas nos escombros. Ele também afirmou que o governo registrou, até agora, 383 edifícios que foram totalmente derrubados ou sofreram danos.
A presidente interina anunciou ainda que seu governo vai “militarizar” o estado de La Guaira, uma das regiões mais afetadas pelos terremotos. La Guaira, uma área costeira que fica nos arredores de Caracas, está dentro da chamada “zona de desastre” estipulada também pelo governo venezuelano.
Equipes de resgate agora lutam para encontrar desaparecidos e retirar pessoas dos escombros. Pelas redes sociais, há também vários relatos e imagens de edifícios que desabaram. Vários países, entre eles Estados Unidos e Brasil, anunciaram que enviarão equipes para auxiliar nas buscas. Nesta sexta-feira (26), a ajuda começou a chegar à Venezuela. (Com informações do portal g1)
