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Como o medo de avião pode afetar as pessoas

A quantidade de sintomas físicos e emocionais que as pessoas sentem quando pegam um avião é que define o grau de aerofobia, segundo especialistas (Foto: Banco de Dados)

Pesadelos, noites acordadas, tremor no corpo inteiro, transpiração e pânico. As reações podem ser consideradas extremas, mas se tornam comuns para quem sente medo de avião. De acordo com especialistas, a sensação de voar muitas vezes causa transtornos físico e emocional que podem deixar o voo aterrorizante, impedir a pessoa de entrar em uma aeronave e se tornar uma fobia, na qual a recomendação é um tratamento especializado.

O psiquiatra Geraldo José Ballone – membro da Sociedade Brasileira de Psiquiatria – afirmou que o medo de avião, também conhecido como aerofobia, pode causar alterações físicas, que vão de fraqueza até dores no peito, e também reações emocionais, como ansiedade, insegurança e pensamentos relacionados à morte. “Se o medo de avião impedir alguém de fazer alguma coisa e isso prejudicar a pessoa, é patologia”, disse.

A estudante Stephany Souza, 22 anos, afirmou que começou a sentir medo de avião há cinco anos. A apreensão se tornou mais séria quando ela começou a ter pesadelos frequentes com quedas de aeronaves e perceber que desenvolveu um pânico toda vez que ouvia notícias relacionadas à acidentes aéreos.

“Já perdi a conta de quantas vezes eu sonhei. Comecei a sonhar frequentemente com aviões caindo, explodindo. Às vezes o sonho é tão real, que eu acordo com muito medo e com o coração acelerado. Meu medo não é só a altura, é saber que se algo der errado lá em cima, eu não terei o que fazer a não ser esperar pela queda. Geralmente, em quedas de avião, a pessoa sabe que vai morrer. Isso me apavora”, afirmou a jovem.

No caso da jornalista Letícia Boaretto, 24 anos, o medo de voar começou quando ela tinha 16 anos, depois de um susto dentro da aeronave. Em um voo de Nova York para o Brasil, o avião pegou um “vácuo” – quando perde sustentação e altitude no ar – e os objetos do serviço de bordo chegaram a cair e deslizar pelos corredores. A partir daí, a jovem nunca mais conseguiu dormir em viagens aéreas e sempre questiona os comissários quando acontece uma turbulência.

O psiquiatra Geraldo José Ballone afirmou que o medo de avião se manifesta em reações fisiológicas e psicológicas. De acordo com o especialista, a quantidade de sintomas físicos e emocionais que as pessoas sentem quando pegam um avião é que definem o grau de aerofobia que ela sente. Se a repulsa a voar não for impeditiva ou não prejudicar a própria pessoa e quem convive com ela, não é necessário nenhum tipo de tratamento. (AG) 

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