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Companhias aéreas criam a “sub da sub” da classe econômica

Passageiros abrem mão de benefícios para pagar menos nas viagens. (Crédito: Reprodução)

Se você quer viajar de avião com a família, não há garantia de que seu filho, marido ou mulher irão ao seu lado. Se um imprevisto ocorrer e você não puder pegar o voo na data prevista, nem adianta insistir para remarcar a passagem. Se há uma certeza é que você será o último a embarcar e terá grande chance de se sentar em um assento do meio ou perto do banheiro, os que sobraram no avião. É mais ou menos assim a experiência de quem opta pela nova econômica básica, tarifa criada pela americana Delta Airlines, na qual o passageiro abre mão de benefícios para pagar menos.

Os preços são até 25% inferiores aos da tradicional econômica. Mas não há possibilidade de reservar assento – a escolha é permitida no check-in –, não há reembolso em caso de desistência, a remarcação da passagem não é permitida, e o passageiro é o último na ordem de embarque.

Modelo deve se expandir no mundo.

As rivais American Airlines e United Airlines também se preparam para lançar as suas tarifas básicas, em um movimento que vem se tornando tendência nos Estados Unidos e promete se expandir no mundo, na avaliação de especialistas. No Brasil, analistas do setor e de defesa do consumidor acreditam que a proposta para mudar regras da indústria colocada em consulta pública pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) abrirá caminho para essa nova prática no País. A intenção da Delta seria ampliar a receita e concorrer com as aéreas de baixo custo, as “low cost”, que vêm ganhando espaço no mercado com tarifas baixas e pouco ou nenhum conforto. “Se a Delta e as aéreas ‘low cost’ oferecem esse tipo de tarifa é porque alguém está disposto a pagar. É uma tendência na aviação, e é natural que a gente copie”, afirma Allemander Pereira, ex-diretor da Anac.

A nova econômica básica seria um caminho para que as empresas aéreas passem a justificar a cobrança por “vantagens” incluídas nas tarifas tradicionais. Nem a Delta nem as rivais americanas cobram pela reserva de assento. Mas as europeias Iberia, British Airways e Air France já o fazem. Na Iberia, quem viaja na classe turista paga 45 dólares se quiser ter a certeza de que terá o companheiro de viagem ao lado no avião. Na British, se o passageiro quiser escolher onde vai sentar com antecedência, terá de desembolsar, no mínimo, 11 reais, dependendo da cabine. A Air France também cobra para reservas de assento com antecedência, mas não informa quanto.

Na proposta de mudança de regras do setor aéreo feita pela Anac, não há menção explícita à cobrança por reserva de assento. No entanto, no artigo segundo da minuta está escrito que “o transportador poderá determinar livremente o preço a ser pago pelo serviço, bem como as regras e condições específicas de cada contrato”. Na interpretação de Claudia Almeida, advogada do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), é uma carta branca para que as aéreas cobrem pela escolha das poltronas e outros serviços que antes eram gratuitos. “Do jeito que está escrito, pode-se cobrar por qualquer coisa. É uma tentativa de preparar o terreno para a entrada das ‘low cost’ no País”, indica Claudia.

Cobrança legal.

Segundo ela, não seria ilegal cobrar pela reserva do assento. Hoje, as companhias aéreas brasileiras cobram por poltronas específicas, consideradas mais confortáveis, localizadas nas primeiras fileiras ou na saída da emergência. Os valores mínimos variam de 15 reais, no caso da Gol, a 25 reais, na Azul Linhas Aéreas. Também não seria ilegal cobrar pela bagagem, outro ponto polêmico da minuta da Anac. O que preocupa em ambos os casos, diz Claudia, é a transparência do modelo de cobrança. (AG)

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