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Condenado a nove anos e seis meses de prisão, Lula volta a desafiar Sérgio Moro e diz que o juiz deve desculpas a ele

Ex-presidente lidera as pesquisas de intenção de voto. (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação/FP)

Condenado a 9 anos e 6 meses de prisão em primeira instância, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que está “lascado”, mas que espera um pedido de desculpas do juiz Sérgio Moro. “Não quero nem que o Moro me absolva, só quero que peça desculpas.” Muito aplaudido pela plateia, Lula prosseguiu em sua ofensiva contra a Lava-Jato.

Em quase 40 minutos de discurso, disse não poder mais aceitar tantas “mentiras” e afirmou não ter medo da operação. Disse ainda que, se o objetivo da Lava-Jato é não deixá-lo ser candidato, os investigadores não deveriam deixar “o povo sofrer” por causa disso.

Apesar de condenado no caso do triplex do Guarujá, ser réu em seis ações penais e estar denunciado em outros dois casos, o ex-presidente lidera as pesquisas de intenção de voto.

Ele também voltou a desafiar seus acusadores a ver o que acontecerá no País se o impedirem de ser candidato à Presidência em 2018. “Eles agem todo santo dia para me tirar da disputa. Juntam meia dúzia de juiz e votam. Não me deixam ser candidato e pronto. Se eles acham que, me tirando da disputa, está resolvido o problema deles, façam e vamos ver o que acontece no País. Se acham que não vou ter força para ser cabo eleitoral, testem”, disse o petista em ato em defesa das universidades públicas em Brasília.

Acompanhado do ex-prefeito Fernando Haddad, Lula criticou o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), presidenciável em 2018. “Se o Bolsonaro agrada ao mercado, nós do PT temos de desagradar ao mercado.”

Recibos

Moro mandou a defesa de Lula “esclarecer expressamente” se tem os originais dos recibos do aluguel do apartamento em São Bernardo do Campo (SP). O imóvel é vizinho ao de Lula e um dos pivôs da ação penal na qual o ex-presidente é réu por corrupção e lavagem de dinheiro na Lava-Jato.

A defesa de Lula apresentou recibos de pagamento. Dois dos comprovantes, no entanto, têm datas que não existem no calendário. O advogado Cristiano Zanin Martins disse que “a perícia nos recibos vai demonstrar que eles são idôneos”.

Aposta

Nas últimas semanas se consolidou no PT a ideia de que o partido vai apostar na candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva até fim, mesmo que o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4.ª Região) mantenha a condenação imposta pelo juiz Sérgio Moro e o petista seja enquadrado na Lei da Ficha Limpa e fique inelegível.

A cristalização da tese de que “não existe plano B” no PT tem feito com que os dois principais nomes citados como possíveis substitutos de Lula no pleito de 2018, o ex-governador da Bahia Jaques Wagner e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, ambos ex-ministros, cujo futuro estava indefinido por causa da situação do ex-presidente, passassem a investir de forma mais efetiva em outros projetos eleitorais. Ambos se colocaram como candidatos ao Senado Federal.

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