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Congresso dos EUA divulga seis anos de impostos de Donald Trump

Parte dos documentos mostra que Trump não pagou nenhum imposto federal em 2020, ano em que foi derrotado por Joe Biden quando buscava a reeleição. (Foto: Divulgação)

Uma comissão do Congresso dos Estados Unidos divulgou, nesta sexta-feira (30) seis anos de declarações de renda de Donald Trump, após uma longa batalha judicial do ex-presidente para manter suas finanças em sigilo. Parte dos documentos mostra que Trump não pagou nenhum imposto federal em 2020, ano em que foi derrotado por Joe Biden quando buscava a reeleição.

Trump, que se prepara para uma nova candidatura à Casa Branca em 2024, recusou-se a divulgar suas declarações de renda, ao contrário de todos os seus antecessores desde a década de 70, o que levantou muitas dúvidas sobre seu conteúdo.

Em meados de dezembro, uma comissão parlamentar votou a favor de publicar as declarações à Receita do bilionário republicano entre 2015 e 2020.

Receita federal

Há três anos esse grupo de legisladores exigia os documentos enviados por Trump à Receita federal americana nesse período, o que o ex-presidente se recusou a fazer. Finalmente, a Suprema Corte decidiu a favor da comissão no fim de novembro.

Os documentos revelam que o ex-presidente republicano pagou US$ 642 mil (R$ 3,3 milhões) em 2015, quando lançou a sua candidatura presidencial; mas apenas US$ 750 (R$ 3,9 mil) tanto em 2016 como em 2017, o seu primeiro ano na Casa Branca.

Em 2018, pagou perto de US$ 1 milhão (mais de R$ 5 milhões), e mais de US$ 133 mil (R$ 702 mil) em 2019, mas nenhum dólar em 2020, ano em que perdeu para o democrata Joe Biden. Os documentos mostram ainda que Trump manteve contas bancárias na China, Irlanda e Reino Unido, entre 2015 e 2017, já como presidente. A partir de 2018, porém, ele relatou apenas contas na Escócia e na Irlanda.

Além disso, na semana passada foi divulgado que o Departamento da Fazenda não auditou os impostos de Trump durante os seus dois primeiros anos de mandato, 2017 e 2018, embora fosse obrigado a fazê-lo, e não começou a analisar os dados até o Congresso solicitar esta informação, em 2019.

“Um presidente não é um contribuinte comum. Ele tem poder e influência diferentes de qualquer outro americano. E com grande poder vem uma responsabilidade ainda maior”, disse o presidente da comissão, o congressista democrata Richard Neal.

‘Benefícios fiscais’

Em comunicado, Trump criticou nesta sexta-feira a publicação das suas declarações fiscais, dizendo que “os democratas nunca deveriam ter feito isso e a Suprema Corte nunca deveria ter aprovado” porque esta prática conduzirá a “coisas horríveis para muita gente”.

No entanto, o magnata argumentou que os poucos impostos pagos ao longo dos anos apenas mostram o quão “bem-sucedido” foi na utilização de “benefícios fiscais” e na criação de “milhares de empregos”.

A batalha por essas declarações remonta a 2019, quando a comissão emitiu uma intimação para o acesso a essa informação como parte da sua investigação sobre possíveis violações fiscais por parte de Trump.

Gerald Ford

Trump, de 76 anos, se tornou o primeiro presidente dos EUA desde Gerald Ford (1974-1977) a não divulgar todos os anos as suas declarações fiscais, tradição que os seus antecessores consideravam fazer parte do dever de transparência e responsabilidade perante o povo.

A publicação representa um novo revés para o ex-presidente, que já é alvo de inúmeras investigações sobre a gestão dos arquivos da Casa Branca, assim como de seus assuntos financeiros em Nova York. A falta de transparência de Trump, que fez de sua riqueza um argumento de campanha, alimentou durante anos especulações sobre a extensão de seu patrimônio e potenciais conflitos de interesse.

A empresa de sua família, a Organização Trump, foi condenada no início de dezembro por fraude financeira e fiscal após um julgamento realizado em Nova York. O ex-presidente republicano não foi processado no caso.

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