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Conheça os homens por trás do fracassado projeto da Superliga

Florentino Pérez vê plano de torneio naufragar com as desistências dos clubes ingleses. (Foto: Reprodução)

O futebol internacional teve nos últimos dias a revelação do plano (que nem era tão sigiloso assim) da criação da Superliga. Mas o projeto de 12 dos principais clubes da Europa de construir um novo torneio — e implodir a Liga dos Campeões — saiu pela culatra.

Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham. Atlético de Madrid, Barcelona e Real Madrid. Inter de Milão, Juventus e Milan. Esses eram os clubes fundadores da Superliga.

“Eram” porque os clubes ingleses já desistiram, assim como Atlético de Madrid, Inter de Milão, Juventus e Milan. A repercussão negativa fez a competição ser suspensa. O Barça, único sobrevivente junto ao Real Madrid, só continua se os seus sócios aprovarem.

Dos 12 clubes mencionados, 11 figuraram entre os 14 mais ricos da Europa ao fim da última temporada, segundo levantamento da consultoria inglesa Deloitte. Se Paris-Saint Germain, Bayern de Munique e Borussia Dortmund tivessem aceito o convite, seriam todos. O Milan ocupou o 30º lugar no último ranking.

Um terço dos (ex-)integrantes desta “super liga” tem como donos investidores norte-americanos. Em outros três clubes, quem dá as ordens é um estrangeiro de outro país. Só três contam com um mandatário “100% nacional”. E dois funcionam sob o modelo de sócios.

Apesar da iminente derrocada do projeto, a pergunta persiste: Quem deu as cartas para a criação da Superliga?

O presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, é figura central. Ele também é o líder da Superliga (caso ela continue existindo). O espanhol defende há tempos a adoção da competição, mas a primeira vez que falou abertamente sobre o assunto foi em dezembro, durante a Assembleia Geral dos sócios do Real.

Em sua última aparição, na segunda-feira (19), no programa “El Chiringuito”, Florentino Pérez disse que a Superliga iria “salvar o futebol”, que o esporte “precisa evoluir”, e que “os jovens não estão mais interessados” no jogo. Ele também usou o impacto econômico da pandemia do coronavírus como argumento.

Reeleito na semana passada, Pérez deve permanecer na presidência do clube até 2025. São quase 20 anos no poder. Ele é o mandatário do Grupo ACS, do ramo de construção civil e líder global em infraestruturas. Seu patrimônio está avaliado em mais de US$ 2,2 bilhões.

Seu coadjuvante é o italiano Andrea Agnelli, presidente da Juventus e vice da Superliga. Ele manda no clube italiano desde 2011, seguindo a linhagem do avô Eduardo II. A família é dona de 63,8% das ações da Juve por meio da holding Exor N.V. O império dos Agnelli vai da indústria automotiva (fundaram a Fiat) ao futebol.

Andrea Agnelli era presidente da Associação Europeia de Clubes (ECA) até semana passada. Inclusive colaborou para o novo formato da Liga dos Campeões. Mas renunciou ao cargo por causa do projeto da Superliga. Sua saída foi considerada uma traição pelos pares.

Ele também abandonou o Comitê Executivo da Uefa. Aliás, Angelli também tem fortes laços pessoais com Aleksander Ceferin, presidente da confederação — a filha de Agnelli tem Ceferin como padrinho.

Influência

Falando em família, o Manchester United tem os irmãos Glazer como acionistas majoritários, com 74,9% das ações do clube. Os empresários dos Estados Unidos detêm fortuna estimada pela revista “Forbes” em US$ 4,7 bilhões. Os Glazer também são donos do Tampa Bay Buccaneers, último campeão da NFL, a liga de futebol americano.

Joel Glazer é vice-presidente da Superliga e um dos entusiastas do projeto. Mas quem pilotou as negociações foi Ed Woodward, vice-presidente executivo do Manchester. Woodward antecipou a sua saída do cargo em meio à crise. Ele também colaborou para a “nova Champions” enquanto fechava o acordo da Superliga, às escondidas.

Assim como os Glazer, o dono do Arsenal, Stan Kroenke, também é dos EUA e tem uma franquia da NFL para chamar de sua: o LA Rams. Total de bens avaliado em US$ 8,2 bilhões. O Denver Nuggets, da NBA, é dele, mas está no nome da esposa Ann Walton. Sua riqueza é composta principalmente de imóveis e franquias esportivas.

Por sua vez, o compatriota John Henry possui o Boston Red Sox, equipe de beisebol. A sua companhia, o Fenway Sports Group, controla 100% das ações do Liverpool. Diante da manifestação de torcedores e jogadores contra a Superliga, ficou impossível seguir no grupo.

Saída

De uma tacada só, Manchester United, Arsenal e Liverpool abandonaram a Superliga, e o Tottenham foi junto. O clube de Londres tem como maior acionista (85,55%) a companhia britânica de investimentos ENIC International Limited, cujo dono é Joe Lewis.

Apesar de nunca ter sido campeão da Champions League ou da antiga Copa dos Campeões da Europa — e não ganhar nada há 13 anos —, o Tottenham foi convidado para o núcleo. Consequência do trabalho do presidente Daniel Levy, no cargo há 20 anos. Coube a ele explicar a saída.

“Nós sentimos que era importante o Tottenham participar no desenvolvimento de uma possível nova estrutura que garantisse melhor o fair play financeiro e a sustentabilidade, enquanto entregasse mais apoio para a pirâmide do futebol”, declarou Levy.

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