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Conheça os ingredientes químicos perigosos que estão em sua casa e você talvez nem saiba

Ftalatos podem ser encontrados em alguns esmaltes de unhas, entre outros produtos, e trazem riscos à sua saúde. (Crédito: Reprodução)

“Há dez anos, não haveria esse consenso, mas as pesquisas a respeito são abundantes e os resultados, claros.” É desta forma contundente que a epidemiologista ambiental Irva Hertz Picciotto, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, se refere aos riscos à saúde da exposição a alguns químicos presentes nos produtos de uso diário.

O consenso mencionado por ela é uma alusão à posição de especialistas de diversas áreas reunidos pelo projeto TENDR (Targeting Environmental Neuro-Developmental Risks, o que poderia ser traduzido em português para “Combatendo Riscos Ambientais e ao Desenvolvimento Neurológico”). A iniciativa tem a participação de cientistas das principais universidades americanas, como Harvard e Columbia, membros de organizações como o Instituto Nacional de Ciências de Saúde Ambiental e a Escola de Medicina do Hospital Monte Sinai, entre outras.

Todos eles concordam que a “exposição contínua a químicos tóxicos presentes no ar, na água, na comida, no solo e nos produtos de consumo podem aumentar o risco de se desenvolver problemas cognitivos, sociais ou comportamentais, assim como desordens no desenvolvimento neurológico”.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) também alertou, por meio de vários comunicados, sobre o uso de produtos com estas neurotoxinas. No entanto, as pessoas nem sempre estão conscientes desses riscos. Conheça a seguir quais são esses químicos.

1. Ftalatos.

Os ftalatos são um grupo de compostos químicos derivados do ácido ftálico. Os mais empregados são o DEHP, o DIDP (diisodecilftalato) e o DINP (diisononilftalato). São usados como solventes e na fabricação de plásticos mais flexíveis ou resistentes e também servem para fixar essências em produtos químicos.

Podem ser encontrados em xampus, condicionadores, aerossóis para cabelo, perfumes, esmaltes de unhas, embalagens para comida, cápsulas de medicamentos. Vários estudos relacionam esses compostos com uma capacidade intelectual reduzida, a síndrome do déficit de atenção e alterações no sistema hormonal.

Especialistas recomendam tomar as seguintes medidas para reduzir a possível exposição a estes componentes: opte por detergentes e loções sem fragrâncias; não esquente a comida no micro-ondas em recipientes de plástico, mas de vidro; não compre brinquedos cujas etiquetas indicam que contêm DEHP, DBP e BBP; se a bula de um medicamento em cápsula mencionar o ftalato entre os princípios inativos, escolha outra marca.

2. Éter de difenila polibromada.

Esses compostos são usados para retardar chamas em plásticos ou espumas e são encontrados em muitos equipamentos eletrônicos e, sobretudo, em móveis, porque são aplicados nas espumas de poliuretano contidas neles.

Sua degradação na atmosfera é muito lenta, por isso, é um composto difícil de ser eliminado. Além disso, se acumula nos animais. Em 2006, um estudo da Universidade Columbia comprovou que a substância estava presente em altas concentrações no leite materno e foi relacionado a uma menor capacidade intelectual e a perda de atenção em mulheres lactantes.

Seja como for, as recomendações de especialistas para minimizar a exposição são: ao comprar móveis com preenchimento, leia a etiqueta e escolha um modelo “livre de retardantes de chama”; limpe o pó de casa com frequência; coloque um capacho na porta, para que sejam deixadas nele as partículas de PDBE que podem vir da rua presas aos sapatos.

3. Mercúrio.

“O mercúrio é uma substância tóxica com efeitos nocivos para o ser humano, em especial para as grávidas, mulheres lactantes e crianças”, destaca a OMS. O elemento se acumula no solo ou rios, e os microorganismos são capazes de transformá-lo em metilmercúrio, um composto ainda mais tóxico.

O principal efeito do metilmercúrio é a alteração no desenvolvimento neurológico, afeta negativamente o desenvolvimento do cérebro e do restante do sistema nervoso. Ainda assim, o mercúrio e seus derivados continuam presentes no cotidiano.

Cada pessoa também pode fazer sua parte para evitar a exposição a esse composto tão tóxico, como substituir o termômetro de mercúrio por um modelo digital; descartar adequadamente as pilhas gastas e nunca as jogar no lixo comum; e garantir que os cosméticos usados não tenham mercúrio em sua composição.

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