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Consultas regulares ao médico podem afastar o risco de glaucoma

Para diagnosticar o glaucoma, é preciso fazer um exame completo. (Foto: Prefeitura de Três Barras/Divulgação)

O presidente da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), Augusto Paranhos Jr., disse na última semana, que é preciso estar atento à doença que, no estágio inicial, não apresenta sintomas. “Se o paciente esperar ter sintoma para fazer o diagnóstico, a probabilidade de ele ficar cego é muito grande”. O médico alertou que é preciso visitar o oftalmologista mesmo sem queixa, lembrando que há doenças que são silenciosas, como essa.

Paranhos Jr. explicou que existe um nervo que faz conexão do olho com o cérebro. “Toda imagem que chega ao fundo do olho, que é luz, é processada e se transforma em impulso elétrico que passa pelos neurônios desse nervo e faz conexão com o cérebro. O glaucoma é a morte da célula que faz a conexão do olho com o cérebro”. De acordo com o especialista, essa célula não se regenera e, quando morre, isso ocorre sem causar inflamação, ou seja, não causa dor. Por isso, a pessoa não percebe.

“Como a gente tem muitas células, no começo praticamente um conjunto de células acaba cumprindo o papel de algumas que estão se perdendo. E, para complicar um pouco, se existe um glaucoma mais avançado em um olho em relação ao outro, com os dois olhos abertos o cérebro simplesmente anula a região onde a visão está mais prejudicada”. Isso significa que quando há queixa de baixa visual por causa do glaucoma, o paciente já perdeu muito do nervo.

Sem queixa

O presidente da SBG comparou o glaucoma ao câncer de útero, nas mulheres, e ao câncer de próstata, nos homens. “Se a mulher for esperar ter sintoma de câncer de útero para procurar o médico, ela morre de câncer de útero”. O mesmo acontece com o homem, no câncer de próstata. Com o glaucoma é igual, assegurou o oftalmologista.

Em razão da pandemia de covid-19, uma das especialidades que mais sofreram impacto pelo fato de o paciente deixar de ir às consultas foi a oftalmologia, o que é compreensível. A prevalência aumenta à medida que a pessoa vai envelhecendo, embora haja glaucomas em bebês e em pacientes mais jovens. O paciente idoso foi o que ficou mais confinado em casa e acabou não aparecendo no consultório para ter o diagnóstico. “As doenças crônicas ficaram desassistidas, desde o câncer até as oftalmológicas.”

O médico ressaltou que para diagnosticar o glaucoma, é preciso fazer um exame completo, que significa mais do que um exame de óculos. É preciso dilatar a pupila, fazer exame de fundo de olho, do campo visual.

Fatores de risco

Paranhos Jr. reafirmou que todas as pessoas devem procurar o oftalmologista. Ele destacou, entre os fatores de risco para o glaucoma, está a raça negra. “Os pacientes afrodescendentes têm muito mais chance de ter glaucoma do que os brancos. Ninguém sabe por quê, é uma tendência da raça. Como a hipertensão arterial é mais grave no paciente negro, o glaucoma também. É uma suscetibilidade da raça”.

O mesmo ocorre no paciente oriental, que tem mais glaucoma de pressão normal. O glaucoma é pressão alta no olho. Nas pessoas orientais, prevalece o glaucoma de pressão normal e o glaucoma de ângulo fechado crônico, enquanto na raça negra domina o glaucoma primário de ângulo aberto.

Segundo o especialista, existem mais de 30 tipos de glaucoma, cada um com seu fator de risco. Para o glaucoma primário de ângulo aberto, o principal fator é a pressão alta no olho, e a única forma de tratar é baixando essa pressão. A história familiar é outro fator de risco importante.

Quem tem pai ou irmão cego por glaucoma deve procurar o médico, passar por exame completo e ser acompanhado. Quem tem antecedente familiar, precisa ir regularmente ao oftalmologista para verificar. Outro fator de risco é miopia, para glaucoma de ângulo aberto, e hipermetropia, para glaucoma de ângulo fechado.

Paranhos Jr. deixou claro que uma vez feito o diagnóstico, o tratamento “não melhora em nada a visão do paciente, porque ele serve para deixar de piorar. Não tratar significa perder tudo, ficar cego. Isso significa muita coisa”. O paciente não deve parar a medicação.

Para definir se o tratamento está adequado, ele tem que fazer avaliação de como está funcionando o olho, ou seja, o campo visual, e medir algumas estruturas que estão alteradas no glaucoma, que é a fotografia do nervo óptico e a tomografia de olho. Acrescentou que o paciente com glaucoma tem que ser muito bem acompanhado pelo oftalmologista para saber qual a melhor abordagem de tratamento, a fim de que não avance rápido e ele acabe perdendo a visão.

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