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Contra fraudes, Saúde criará normas para uso de próteses e órteses no SUS

Segundo o ministro da Saúde, Arthur Chioro, a falta de regulação do setor têm dado margem a fraudes e cobranças de preços até 8,7 vezes maiores por um mesmo produto. (Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil)

O Ministério da Saúde anunciou nesta terça-feira (7) um conjunto de medidas para tentar barrar novas fraudes no fornecimento e uso de próteses e órteses para tratamento de saúde.

Entre as propostas, está a criação de um sistema de rastreamento destes dispositivos desde a produção até a implantação no paciente, além da padronização da nomenclatura destes equipamentos.

A falta de regulação do setor têm dado margem a fraudes e cobranças de preços até 8,7 vezes maiores por um mesmo produto, segundo o ministro da Saúde, Arthur Chioro.

Também serão criadas normas para o uso de próteses e órteses pelos profissionais e unidades de saúde que trabalham nas áreas de ortopedia e cardiologia, áreas nas quais foram identificadas o maior número de irregularidades até agora.

As medidas, hoje em estudo, serão finalizadas até outubro. Conforme Chioro, as normas devem ser um requisito para o pagamento dos serviços no SUS (Sistema Único de Saúde). “O especialista não vai mais poder inventar que uma prótese é melhor que a outra”, afirma.

As novas ações ocorrem após denúncias de que médicos recebiam comissões de 20% a 50% para que utilizassem próteses de determinadas empresas no tratamento de pacientes. Em alguns casos, cirurgias eram indicadas sem que houvesse necessidade.

Após as consultas, médicos também orientavam os pacientes a procurarem a Justiça para fazer com que o SUS e os planos de saúde custeassem os produtos. O caso foi revelado em janeiro pelo “Fantástico”, da TV Globo.

Projeto de lei

Além da adoção de novas normas, o governo pretende enviar ao Congresso um projeto de lei que propõe tipificar, dentro do crime de estelionato, os casos de fraudes envolvendo a indicação de próteses e órteses.

Uma divisão na Polícia Federal será criada para apurar crimes contra a saúde. A previsão é de que o setor comece a funcionar ainda nesta semana.

As propostas foram elaboradas por um grupo de trabalho envolvendo os ministérios da Justiça, Saúde e Fazenda, criado em janeiro para acompanhar o caso. A suspeita de fraudes no setor também é investigada em duas CPIs no Congresso. (Natália Cancian/Folhapress)

 

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