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Contratar anão para animar a festa está em alta em São Paulo

Por um cachê de cerca de 300 reais, empresas oferecem anões para dançar, fazer gincanas, distribuir bebidas ou brindes. (Foto: Reprodução)

“Quando as outras pessoas olham para nós, logo se remetem a duendes, gnomos, ao filme ‘A Branca de Neve e os Sete Anões’. Pela própria natureza, nós carregamos uma imagem fabulosa.” A afirmação é do empresário Leonardo Fernandes, 39 anos, que é anão e abandonou a carreira no Direito há cerca de dez anos para entrar no ramo de entretenimento.

Por meio da LC5 Anões em Ação, empresa que tem com a mulher, Cris Lourenço, também anã, o casal anima todo tipo de festa, de aniversários a casamentos, e agencia outros portadores de nanismo. Recentemente, o grupo ganhou destaque com a divulgação do vídeo de um anão gogo-boy contratado para uma festa dentro de uma delegacia em São Paulo.

Segundo empresários, esse nicho de mercado tem ganhado impulso com o sucesso de anões que se apresentam em programas da TV, além de celebridades como o ator americano Peter Dinklage, da série “Game of Thrones”. Por um cachê de cerca de 300 reais, empresas como a de Fernandes oferecem anões para dançar, fazer gincanas, distribuir bebidas ou brindes.

Vídeo de um anão gogo-boy contratado para uma festa dentro de uma delegacia em São Paulo causou alvoroço na internet. (Foto: Reprodução)

Eles aparecem fantasiados de segurança, Batman, e até do socialite Chiquinho Scarpa – lista que se multiplica conforme a criatividade do cliente. “A moda agora são os mini-mexicanos”, destaca Fernandes, que faz cinco festas por semana.

Alexandre Donizete, da Cia dos Anões e da Tele Happy, conta que há cerca de três anos tinha apenas seis anões em seu portfólio de freelancers. Hoje, conta com 37. “Participamos de muitos eventos corporativos, formaturas, festas de debutante. É muito animado”, conta o ator Ronaldo Malaquias, conhecido como Ronaldo Simpatia.

Despedidas de solteira.

Outro compromisso recorrente desses artistas são as despedidas de solteira, segundo Donizete. “Quando um anão dança vestido de gogo-boy, mesmo que seja igual ao do vídeo da delegacia, não é sensual nem sexual. É lúdico, é brincadeira o tempo todo”, diz. Seus contratos, no entanto, determinam que os animadores podem deixar o evento caso sejam ofendidos moralmente ou fisicamente. Jogos agressivos como arremessar os anões, segundo Donizete, são inaceitáveis.

“Comigo nunca aconteceu. Mas eu procuro ficar onde está o foco da festa. Não passo em um corredor onde percebo que estão os bêbados. Os convidados gostam de pegar a gente no colo para tirar foto, mas eu evito”, observa Fernandes. Especialistas em direitos humanos consideram preocupante o avanço da demanda por anões animadores de festas em fantasias cômicas.

Entretenimento que explora o preconceito.

O professor de Direito Rubens Glezer alerta que o serviço, embora seja praticado apenas por um grupo, é um tipo de entretenimento que explora preconceitos e pode aprofundar o estigma para os outros. “Não é uma causa direta, mas pode contribuir para afetar a capacidade de outros anões avançarem em carreiras como advogados, engenheiros e alcançarem postos de executivos de alto escalão. Existe uma tensão entre a autonomia e a responsabilidade das pessoas de pertencerem a um grupo“, diz Glezer. (Folhapress)

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