Eventual convite para Rafael Fonteles (PT) compor o governo Lula pode demorar até dois anos para acontecer. O governador reeleito do Piauí teve elogiada atuação na coordenação da campanha petista ao Planalto, mas já causou incômodo em Lula o excesso de declarações de Fonteles sobre ocupar o Ministério da Fazenda, visto como maneira de testar a aceitação do mercado financeiro e emparedar o presidente, que não fez qualquer convite ao governador. O incômodo já foi informado a Fonteles.
Nome dele
No Congresso, petistas ouvidos pela coluna dizem que o assunto nem mesmo é discutido e que a Fazenda deve ser escolha pessoal de Lula.
Pendengas locais
No PT, discute-se ainda o impacto político da saída do governador piauiense logo no início do mandato e as alianças feitas no estado.
Firmar o governo
Uma as possibilidades sob a mesa é Fonteles governar entre um e dois anos até surgir o convite para compor a Esplanada de Lula.
Borracha fraca
Petistas ainda não confiam no pulso de Washington Bandeira, correligionário e vice-governador eleito na chapa de Fonteles.
Petistas sem mandatos ‘encalham’ no Lula 4
Pelo menos dois petistas não eleitos viraram dor de cabeça para Lula acomodá-los de volta no time de ministros. Gleisi Hoffmann, para alívio de muitos parlamentares, deixou a Secretaria de Relações Institucionais para disputar o Senado no Paraná. Derrotada, foi só a quarta mais votada e perdeu a cadeira. Outro petista que ainda não tem destino definido é Fernando Haddad, que perdeu logo no primeiro turno a eleição para o reeleito governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Rep).
Alívio geral
A vaga de Gleisi foi ocupada por José Guimarães, um dos pouco acertos de Lula, e que também não disputou eleição a pedido do petista.
Fim da fila
Haddad tinha expectativa até de assumir a Casa Civil, mas a vaga ficou mais distante após apagada atuação na campanha de Lula.
Estrela cadente
Hoje, a Casa Civil está mais próxima do senador Camilo Santana (PT-CE) do que do ex-ministro da Fazenda, ainda com destino indefinido.
Aparelhamento
No caso de petistas reclamando da “discriminação” que eles próprios impuseram a bolsonaristas, impressiona o empenho atual do Ministério Público do Trabalho (MPT), que não se viu em 2020. O páreo é duro, mas a oposição o considera o mais aparelhado dos órgãos públicos.
Sem explicação
A última pesquisa BTG/Nexus antes do segundo turno apontava a segurança pública, violência e criminalidade como os maiores problemas percebidos pelo eleitor. Corrupção ficava só no terceiro lugar.
União Europeia, 33
Completa 33 anos neste domingo (1º) a vigência do Tratado de Maastricht, que criou oficialmente a União Europeia com 12 Estados-membros. Incluía o Reino Unido, que saiu do grupo há quase 7 anos.
Perícia às cegas
A defesa de Daniel Vorcaro recebeu o material extraído de seu celular sem os arquivos originais da coleta, diz laudo particular. Sem eles, o perito afirma não conseguir verificar se os dados foram preservados.
Arquivos suspeitos
A perícia contratada pela defesa de Vorcaro identificou 999 arquivos com datas de modificação posteriores à apreensão do celular do banqueiro. Destes, 340 foram modificados mais de cinco meses depois.
DF contra Lula
A bancada do DF no Congresso foi a Hugo Motta tentar barrar a mudança no cálculo do Fundo Constitucional, sancionada por Lula em agosto, que ameaça reduzir os recursos destinados à Capital.
Conta da década
Nos últimos dez anos, a Justiça Eleitoral custou R$82,3 bilhões aos pagadores de impostos, valor nominal, sem correção. Somente em 2025, ano sem eleições no Brasil, foram R$8,3 bilhões, segundo a conta do Conselho Nacional de Justiça. Ainda não há cálculo fechado para 2026.
Vai mudar?
Após o fim do período eleitoral, a proibição de visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro com finalidade político eleitoral também acabou. A decisão sobre visitas será, como sempre, do ministro Alexandre de Moraes (STF).
Pensando bem…
…peixe e quase ministro morrem pela boca.
PODER SEM PUDOR
Mais um passista
Ainda sem saber como seria aproveitado na equipe do ministro das Relações Exteriores Antônio Azeredo da Silveira, seu ex-chefe que acabara de ser nomeado pelo general Ernesto Geisel, o diplomata Marcos Azambuja, que colegas apelidaram de “o pequeno notável”, procurou uma amiga – exatamente a mulher do chanceler, a embaixatriz May: “Na escola de samba do embaixador Azeredo, serei passista ou destaque?” Dona May respondeu com a conhecida suavidade, mas sem pestanejar: “Na escola de samba do Silveira, Marcos, o único destaque é ele…”
(Por Cláudio Humberto com Rodrigo Vilela e Tiago Vasconcelos)
