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Copa do Mundo da longevidade: torneio teve recorde de atletas com 40 anos ou mais, incluindo estrelas como Cristiano Ronaldo e Modric

Cristiano Ronaldo, de 41 anos, de Portugal e Luka Modric, capitão da Croácia, de 40 anos. (Foto: Reprodução)

Na Copa do Mundo deste ano, destaca-se a quantidade de jogadores com 40 anos ou mais. São oito atletas nessa faixa, lista que inclui astros como Cristiano Ronaldo, de 41 anos, de Portugal; Vozinha, o goleiro de Cabo Verde que, aos 40 anos, ganhou destaque ao parar o ataque espanhol; e Luka Modric, capitão da Croácia, também de 40 anos. Todos já se despediram da Copa.

O que explica o alto rendimento em uma idade na qual a maioria dos jogadores já se aposentou, segundo especialistas, não é só genética ou talento – basta ver craques que tiveram um declínio mais precoce, como Ronaldo Fenômeno, que disputou a última Copa aos 29 anos. Também não é só “treinar mais” ou “ter disciplina”.

O que explica a longevidade é uma combinação de fatores, que inclui treinamento personalizado, prevenção de lesões, recuperação adequada, nutrição, sono e vantagens genéticas. E tudo isso pôde ser aprimorado graças a avanços na medicina do esporte e nas tecnologias de monitoramento, treinamento e tratamento. Um dos elementos centrais, segundo os especialistas, é adotar um treino personalizado para cada atleta, com o controle de carga, monitoramento de como o profissional responde aos estímulos, como é seu desempenho em cada atividade e como seu corpo se recupera.

Hoje, os times conseguem medir com precisão o quanto um atleta corre, em que intensidade, como o corpo responde ao treino e quanto tempo precisa de recuperação. “Você consegue medir o quanto aquele treino impactou no organismo do atleta e ajustar a carga de acordo com cada um. Ficou tudo individualizado”, diz Guilherme Artioli, pesquisador do Grupo de Pesquisa em Fisiologia Aplicada e Nutrição da Faculdade de Medicina da USP e professor do Instituto de Ciências Biomédicas da mesma universidade. “Nesse sentido, não tem mais aquela coisa de o time inteiro treinar igual e, se você não está conseguindo, você é um fraco.”

Para esse monitoramento, são usados dispositivos tecnológicos como GPSs acoplados ao corpo do atleta. A ideia é evitar tanto o excesso, que aumenta o risco de lesão, quanto a carga insuficiente, que impacta o ritmo de jogo. Karina Hatano, médica do esporte do Einstein Hospital Israelita, diz que há diferença entre a carga planejada e o modo como cada corpo reage. “Carga externa é a planilha do treino, o quanto o treinador vai colocar. Carga interna é o quanto o atleta aguenta.”

O descanso para recuperação é mais valorizado hoje, o que inclui um sono de qualidade. “É quando há a regulação de vários hormônios, como o cortisol. Sem uma boa noite de sono, ele pode ficar aumentado e prejudicar a recuperação muscular”, afirma a médica.

O controle de carga combinado a planos de recuperação é especialmente importante para atletas mais velhos, que passam a ter maiores desafios biológicos. “Para o público geral, disciplina é treinar o máximo possível, mas, para a medicina esportiva, o descanso é parte do treinamento”, diz Karina.

A genética pode favorecer algumas habilidades físicas e ajudar alguns atletas a envelhecerem melhor, mas, pelos estudos que temos, os genes não são determinantes. “Por muito tempo acreditava-se que existia o gene do atleta, um único gene que fazia a pessoa ter desempenho excepcional em esportes, mas isso não se confirmou”, conta Karina. Uma revisão publicada em 2023 na revista científica Genes analisando a ligação entre genes e desempenho esportivo mostrou que a performance é uma característica complexa, influenciada pela combinação de fatores genéticos e ambientais. Até aquele ano, cientistas já haviam encontrado 128 genes com associação favorável ao desempenho: 41 ligados à resistência, 45 à potência e 42 à força.

Entre os marcadores mais promissores estão variações em genes relacionados a características como capacidade aeróbica, explosão muscular e força. Os autores ressaltam, no entanto, que mesmo esse avanço não permite prever bem a performance de elite apenas pelo uso de testes genéticos, já que o rendimento esportivo depende também de treinamento, ambiente, histórico de lesões, recuperação e outros fatores individuais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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