Após severas críticas à proibição da entrada de torcedores com suas próprias garrafas de água em alguns estádios durante a Copa do Mundo de 2026, a Federação Internacional de Futebol (Fifa) anunciou a flexibilização da medida. O recuo leva em conta o fato de que a competição a ser disputada no México, Estados Unidos e Canadá tem como período 11 de junho a 19 de julho, época de calor extremo.
Também foi considerado na decisão o fato de que alguns dos 16 estádios-sede proporcionam pouca ou nenhuma sombra ao público. Em postagem nas redes sociais, a entidade informou que os torcedores poderão ingressar em qualquer jogo nos Estados Unidos ou Canadá portando o líquido em garrafa descartável, de plástico flexível, lacrada de fábrica e com capacidade de 590 mililitros.
O diretor de Operações Heimo Schirgi afirmou que ainda não será permitido levar embalagens reutilizáveis e rígidas, por motivos de segurança. Incialmente, as regras para os estádios permitiam que os torcedores levassem garrafas transparentes e reutilizáveis com capacidade de até 1 litro, o que foi alterado a poucos dias do início da competição.
A Fifa havia comunicado, a semana antes do torneio, a mudança em seu código de conduta, proibindo a entrada nos estádios com garrafas de água. De acordo com a entidade, objetos como copos, potes e latas também estavam vetados, pelo risco de ferimentos caso fossem atirados em direção ao campo ou mesmo a outras áreas de arquibancada.
A medida foi criticada por autoridades e especialistas em saúde, devido ao aumento do risco de desidratação e outros incidentes relacionados a tempertaturas extremas e déficit na ingestão de líquidos. Vale lembrar o caso brasileiro em que uma estudante de 23 anos morreu após passar mal durante show da cantora norte-americana Taylor Swift no Estádio Engenhão, no Rio de Janeiro, em novembro de 2023.
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que a morte da jovem foi causada por exaustão térmica. Na semana do evento, a capital fluminense enfrentava intensa onda de calor, com sensação térmica em níveis críticos dentro do estádio.
A tragédia gerou enorme comoção pública e críticas à organização do evento, pela proibição da entrada de garrafas de água em um dia de temperaturas extremas. O episódio motivou a aprovação de decretos e leis que passaram a garantir o direito à entrada com garrafas de água em shows e eventos de grande porte no País.
Cenário de risco
Em maio passado, uma pesquisa mostrou que cerca de 25% dos jogos da Copa do Mundo devem ser disputados em condições de calor consideradas preocupantes para a saúde dos atletas e torcedores. A Fifa agora informa:
“Estamos trabalhando em estreita colaboração com cada comitê de cidade-sede e autoridades locais em fatores de mitigação do calor para torcedores que se deslocam ao estádio, o que pode incluir recursos como estações de nebulização, ventiladores, pontos de hidratação, tendas de resfriamento e outros ao redor do perímetro do estádio”.
Além disso, a entidade afirmou que, dentro do perímetro do estádio, os preços das garrafas de água permanecerão consistentes com outros eventos realizados em cada estádio. (com informações do portal G1 e Agência Brasil)
