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Coronavírus achado em Pequim pode ter origem na Europa

A capital chinesa registrou 183 novos casos desde última semana; foco foi o mercado de Xinfadi. (Foto: Greg Baker/AFP)

Uma autoridade sanitária da China afirmou que o novo foco de disseminação do coronavírus Sars-CoV-2 na capital Pequim pode ter surgido a partir de uma cepa proveniente da Europa.

A hipótese foi lançada pelo vice-diretor do Instituto de Doenças Virais do país asiático, Zhang Yong, em um comunicado publicado pelo Partido Comunista Chinês (PCC).

O novo foco, que, segundo a China, já está “sob controle”, surgiu no mercado de Xinfadi.

De acordo com Zhang, análises de amostras coletadas no mercado indicam que o vírus tem uma “origem europeia”, embora não seja “totalmente” igual à cepa que atinge o continente atualmente.

A hipótese é de que o coronavírus tenha chegado em Pequim “há pouco tempo”, por meio de algum alimento congelado que não teria sido desinfetado corretamente antes de ser colocado para venda.

“De qualquer modo, precisamos de mais dados antes de tomar uma decisão documentada sobre sua origem”, disse Zhang. A pandemia do novo coronavírus teve início na China, em um mercado que vendia animais selvagens na cidade de Wuhan.

O país contabiliza hoje 84,5 mil casos e 4,6 mil óbitos, de acordo com números oficiais.

Inspeção

A China anunciou nesta sexta-feira (19), o lançamento de uma campanha de inspeção de alimentos importados após o ressurgimento de casos de coronavírus em Pequim. A decisão foi adotada após semelhanças com cepas europeias do vírus terem sido detectadas no país.

Com o novo foco de coronavírus na capital, a cidade fechou escolas e realizou testes de diagnóstico em milhares de habitantes. Nesta sexta, foram confirmados 25 novos casos de coronavírus em Pequim, totalizando 183 desde a última semana.

A capital chinesa, de 21 milhões, havia recuperado praticamente a normalidade depois de dois meses sem novos contágios. A epidemia era considerada praticamente erradicada no país graças ao uso de máscaras, testes massivos, quarentenas e o rastreamento de pessoas que entraram em contato com o vírus e com contaminados.

Todos os trabalhadores e aqueles que tiveram contato próximo com casos confirmados ou com o mercado – que tem 112 hectares e tem 1,5 mil funcionários e mais de quatro mil barracas – foram obrigados a permanecer em casa e fazer um teste de coronavírus em um dos centros designados em Pequim.

O governo recomendou os moradores de Pequim a jogar fora todos os produtos congelados e a base de soja comprados em Xinfadi. Song Yueqian, funcionário da Administração Geral de Aduanas, anunciou a campanha para inspecionar alimentos frescos, congelados e os procedentes de países de alto risco.

Na lista estão produtos marinhos, carnes e verduras congeladas. Até o momento, no entanto, as mais de 15 mil provas nesse tipo de alimento foram negativas.

“É possível que o vírus que provoca atualmente a epidemia em Pequim possa ter viajado de Wuhan para a Europa e tenha retornado agora para a China”, disse Ben Cowling, professor do Centro de Saúde Pública da Universidade de Hong Kong.

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