As vendas de materiais de construção, móveis, eletrodomésticos e vestuário, que começaram o ano com recuperação, contribuindo para aliviar o resultado ruim do comércio, correm o risco de ver essa trajetória de melhora se reverter diante da incerteza que paira sobre a economia após o agravamento da crise política. O mesmo acontece com a indústria, que teve leve melhora de 0,6% no primeiro trimestre, puxada por máquinas e equipamentos e bens duráveis. A indefinição sobre a aprovação das reformas (trabalhista e da Previdência) e sobre um corte mais profundo da taxa básica de juros Selic pode frear essa recuperação incipiente.
“Esses setores vinham num movimento muito fraco, de alta sobre uma base de comparação muito baixa com o ano anterior. A expectativa de continuidade de melhora estava atrelada à recuperação da atividade no País, que agora está comprometida. A crise política colocou areia na engrenagem dessas atividades, pois pode fazer a economia ficar presa no fundo do poço por mais tempo”, analisa Rafael Cagnin, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial.
O resultado positivo da indústria no primeiro trimestre foi puxado por bens de capital (máquinas e equipamentos), com alta de 4,4%, graças principalmente à colheita de uma safra recorde. Também tiveram alta, de 10,5%, bens duráveis, puxados por uma melhora na produção da linha marrom (televisores, som e vídeo) e da exportação de automóveis. A venda de eletrodomésticos cresceu impulsionada pela liberação das contas inativas do FGTS e pelo o que Cagnin chama de “cansaço da crise”.
