O provável candidato presidencial democrata dos Estados Unidos Joe Biden recebeu uma declaração de apoio de Hillary Clinton para o cargo que ela quase conquistou em 2016, quando tentou se tornar a primeira mulher a ser eleita presidente dos Estados Unidos.
O endosso, feito durante um comício virtual sobre os efeitos da crise do coronavírus nas mulheres, chegou em um momento crítico, já que Biden almeja melhorar seu perfil junto às mulheres e outros grupos demográficos cruciais do eleitorado enquanto a pandemia devasta a economia norte-americana.
Hillary, que foi secretária de Estado, senadora de Nova York e primeira-dama, sofreu uma derrota surpreendente na eleição presidencial de 2016 para o republicano Donald Trump, apesar de vencer o voto popular.
Ela também perdeu a disputa pela indicação democrata de 2008 para Barack Obama, de quem Biden era vice-presidente.
Biden, que prometeu escolher uma mulher como vice de chapa neste ano, apresentou Hillary no evento como a pessoa que deveria ser presidente no momento.
Ela disse ao correligionário: “Estou empolgada por fazer parte de sua campanha não somente para apoiá-lo, mas para ajudar a ressaltar uma série de questões que estão em jogo nesta eleição presidencial”.
Clinton elogiou a carreira de Biden e enfatizou como seria diferente passar por uma crise como uma pandemia com um presidente que “ouve os fatos científicos”.
“Acho que isso implicaria que teríamos um presidente de verdade, não alguém que desempenha um papel da televisão”, afirmou Clinton em uma crítica a Trump e seu passado como apresentador de reality shows.
Na sessão, um apresentador leu uma pergunta enviada virtualmente que levantou a situação de mulheres agredidas durante o confinamento obrigatório, à qual Biden respondeu com um plano para fornecer proteção às vítimas.
No comício, Biden também se manifestou fortemente a favor do aborto como uma questão de “saúde pública”.
“Esta eleição é um plebiscito sobre o futuro que queremos como país”, afirmou Clinton.
O apoio é manifestado no momento em que a campanha do democrata enfrenta denúncias de abuso sexual por uma funcionária de seu gabinete quando Biden foi senador na década de 1990.
A derrota de Hillary quatro anos atrás continua causando raiva e consternação entre os liberais, inclusive alguns que se perguntam se escolheram o nome certo.
Em um comunicado em que reagiu ao endosso, o gerente de campanha de Trump, Brad Parscale, disse: “Não existe maior concentração de establishment democrata do que Joe Biden e Hillary Clinton juntos”.
“O presidente Trump a derrotou uma vez, e agora derrotará o candidato de sua escolha”, acrescentou o comunicado.
Biden, de 77 anos, ainda não é o candidato oficial ao Partido Democrata, dependendo da escolha na Convenção Nacional, adiada para agosto por causa da pandemia de novo coronavírus.
No entanto, ele já conta apoio como o do ex-presidente Barack Obama, o apoio de seu rival nas primárias, Bernie Sanders, e o apoio da líder democrata da Câmara dos Deputados, Nancy Pelosi.
